Reportagem Atualizado em 18/10/2014, 23:00
CRISE NO SUDOESTE - Sua opinião

O empresário Osmar Carlos Gebing, de 53 anos, investiu alto em Capanema. Assinou contrato com a empreiteira que toca a obra e chegou a adquirir dois ônibus para conseguir honrar o contrato de prestação de serviço, o transporte dos operários. Chegou a usar uma frota de 22 ônibus, dois micros e sete vans. "Hoje estou com 10 ônibus, dois micros e duas vans. E nem sei até quando. Tinha 44 funcionários, hoje tenho 28, mas pela demanda, poderia ter bem menos, talvez 15 seria suficiente. É uma situação muito difícil. A única coisa que resolve o nosso problema é a obra voltar o mais rápido possível. Se não voltar, as consequências serão dramáticas."

Lisandro Schrenck, de 33 anos, tem tido bastante tempo livre à margem da PR-281, na saída de Capanema para Planalto. Ele toma conta de dois espaços de um amplo auto posto, uma espécie de termômetro da movimentação na cidade. Um restaurante, onde a especialidade é a chuleta na chapa, e um lava-rápido, voltado mais para ônibus e caminhões. Desde que a obra na usina começou, o negócio do lava-rápido passou a tomar quase todo o tempo dele. "Cheguei a lavar 40 ônibus em um mês", gaba-se. Ele não pensou duas vezes e investiu R$ 20 mil em maquinário. Logo depois, a construção parou. "No mês passado, lavei só nove ônibus. Infelizmente já tive que demitir três funcionários."

Dizem que uma cidade só alcança o progresso de fato quando o primeiro espigão corta o horizonte. Em Capanema, o desafio de começar a verticalização coube a Aldo Rizzi, o empresário que vai erguer o primeiro edifício residencial da cidade, desenhado para ter 15 pavimentos. Ele diz que o projeto está firme como uma viga. Mas há uma ponta de preocupação com a desvalorização imobiliária pós suspensão da construção, já evidente na corretagem informal. Rizzi também atua no ramo de venda de material de construção e já está finalizando o prédio que vai abrigar a segunda loja. "Nosso planejamento era para três ou quatro anos de obras ininterruptas", lamenta.

"O reservatório vai atingir uma faixa estreita da minha propriedade. É tão pouco que nem vou pedir indenização. Meu problema é outro. É a paralisação da obra da usina. Muita gente se preparou para dois ou três anos de construção. As vendas no comércio já caíram. Na minha loja caiu 40%. Alguns já pediram para aumentar o prazo, outros não estão pagando as prestações. Um investimento deste, tão grande...Aí vem uma assinatura e para tudo. Deveriam ter analisado os prós e os contra antes da obra começar", diz Eleandro Reiman, de 45 anos, comerciante no setor de cosmético e pequeno criador de gado de corte.

Alvair Luiz Cordasso, o Tito, de 49 anos, é o principal hoteleiro de Capanema. O estabelecimento que leva o seu nome foi ampliado aos poucos desde 2012 e hoje já tem 44 acomodações. Com a construção da usina a plena vapor, sua taxa de ocupação era invejável até para uma cidade de porte médio. "De segunda a quinta, o pessoal mais especializado da usina sempre estava procurando lugar para pernoitar. De segunda a quinta, o hotel estava sempre lotado. De sexta a domingo, a ocupação era de 60%", conta. Em outubro, o movimento caiu bastante. "De segunda a quinta, caiu para 70% e nos finais de semana, 20%, no máximo." Tito também investiu na locação de veículos. Comprou 15 carros, praticamente tudo destinado à demanda da empreiteira. "Hoje usam três ou quatro carros. Os demais ficam na garagem."





