"A barragem vai ser positiva para a gente. Até ambientalmente. Vai ter recomposição de mata ciliar. A gente que conhece muito aqui, a gente sabe que não vai ter problema. O verdadeiro problema hoje é a paralisação da obra porque ninguém sabe o que vai acontecer". A avaliação é do produtor rural, Plínio Pedro Primo, 57 anos, que terá 10 hectares alagados pelo reservatório da Baixo Iguaçu. Morador do município de Capanema, ele é uma exceção: se diz esperançoso e acredita que a maioria das famílias terá uma indenização justa.
O Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) tem uma posição diferente. Mesmo antes da negociação entre a usina e os produtores ser suspensa por causa da paralisação no canteiro, o movimento social já demonstrava preocupação com os valores oferecidos pelo consórcio. Tanto que organizou manifestações para pressionar o outro lado. "Neste imbróglio, nossa organização social é o lado mais frágil", avalia Rodrigo Zancanaro, da coordenação do movimento no Sudoeste. "Somos vítimas da postura autoritária do consórcio que quer nos remunerar com valores bem abaixo do que os praticados no mercado", afirma.
Zancanaro também reclama do cálculo do número de atingidos pelo obra. Nas contas da organização, são 578 propriedades onde vivem 1.025 famílias. Para o consórcio, as propriedades atingidas são cerca de 360. (L.F.M.)




(L.F.M.)

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