Em Capanema e Capitão Leônidas Marques, os termos "acerto" e "seguro-desemprego" funcionam como um anestésico para a economia. Um anestésico que deve durar o máximo possível, brincam os comerciantes. Mas todos sabem que o dinheiro liberado aos trabalhadores após as demissões em massa da empreiteira da usina não vai durar muito e a dor da crise pode solapar as famílias e os negócios em 2015, caso a decisão da Justiça Federal não seja revertida até o fim do ano. Entre os mais de mil demitidos, a grande esperança é que o treinamento e a ambientação com a obra sejam fatores decisivos para a empreiteira optar pela recontratação.
Gente como Junior Cesar Schafer, de 19 anos, ajudante de manutenção no setor Júnior de funilaria e pintura. Ele trabalhou na obra por 10 meses e quando aguardava a promoção, que lhe renderia um salário de R$ 2 mil, a obra foi paralisada. "É um salário praticamente impossível aqui na região. Claro que fiquei muito chateado. Agora, vamos ver como fica, se eles vão me querer de volta."
Dari Franzmann, de 49, ajudante de concretagem na obra da usina, estava há 10 anos sem carteira assinada e permaneceu só cinco meses no canteiro. Considera sua situação "uma desgraça, uma injustiça". No mesmo bairro, de moradias simples e pouca infraestrutura, vive Thiago Michel Pereira, de 20, que trabalhou nove meses como servente na Baixo Iguaçu. "Tenho a esperança de fichar de novo na obra. E quem sabe virar barrageiro. Sou novo. Posso viver em qualquer lugar", afirma. (L.F.M.)

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