CRISE DE ABASTECIMENTO - Temer autoriza uso de forças federais para desbloquear rodovias
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sexta-feira, 25 de maio de 2018
Das agências 

Brasília - O governo federal autorizou o uso de forças federais de segurança para liberar as rodovias bloqueadas pelos caminhoneiros caso as estradas não sejam liberadas pelo movimento, iniciado na segunda-feira (21). O anúncio foi feito pelo presidente Michel Temer, em pronunciamento no Palácio do Planalto, no início da tarde. A decisão foi tomada após reunião no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que contou com a participação de ministros e do presidente.
"Quero anunciar um plano de segurança imediato para acionar as forças federais de segurança para desbloquear as estradas e estou solicitando aos governadores que façam o mesmo. Não vamos permitir que a população fique sem os gêneros de primeira necessidade, que os hospitais fiquem sem insumos para salvar vidas e crianças fiquem sem escolas. Quem bloqueia estradas de maneira radical será responsabilizado. O governo tem, como tem sempre, a coragem de dialogar; agora terá coragem de usar sua autoridade em defesa do povo brasileiro."
Na quinta-feira (24), os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Eduardo Guardia (Fazenda) e Carlos Marun (Secretaria de Governo) anunciaram acordo para suspensão dos protestos da categoria por 15 dias. Depois disso, as partes voltarão a se reunir. Nesta sexta-feira (25), no entanto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) não registrou desmobilização de pontos de manifestação de caminhoneiros nas rodovias do País.
Em seu pronunciamento, Temer disse que uma "minoria radical" está impedindo que muitos caminhoneiros cumpram o acordo e voltem a transportar mercadorias. O presidente enfatizou que o governo atendeu às principais demandas da categoria. "O acordo está assinado e cumpri-lo é naturalmente a melhor alternativa. O governo espera e confia que cada caminhoneiro cumpra seu papel."
A decisão de suspender a paralisação não foi unânime. Das 11 entidades do setor de transporte, em sua maioria caminhoneiros, que participaram do encontro, duas delas, a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) e a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que representa 700 mil trabalhadores, recusaram a proposta.
'REAÇÃO TARDIA'
O presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, classificou como tardio o pronunciamento do presidente Michel Temer para tentar solucionar a crise de abastecimento gerada pela paralisação dos motoristas. Para o líder da entidade, o uso da força citado por Temer vai tornar ainda mais difícil o fim da paralisação.
"O uso da força vai tornar ainda mais difícil acabar com a mobilização porque essa estratégia vai gerar resistência", disse. Para Fonseca, se forças de segurança tentarem retirar caminhoneiros a força, "haverá gente presa, machucada e muita confusão".
"Essa foi uma reação tardia e acontece cinco dias após o início do movimento. A situação não precisaria do uso da força para ser resolvida", disse. Fonseca rejeita a afirmação de Temer que apenas uma "minoria radical" segue na estradas. "O número de manifestantes mostra que não somos minoria. Ao contrário, somos a maioria do movimento e que não está de satisfeito com o acordo feito ontem [quinta]", disse o dirigente.
Nesta sexta, a associação divulgou nota pedindo aos motoristas que liberem as rodovias interditadas. "Preocupada com a segurança dos caminhoneiros envolvidos, a Abcam vem publicamente pedir que retirem as interdições nas rodovias", cita a nota distribuída à imprensa. A mensagem que será distribuída aos associados pede que seja respeitado eventual decreto presidencial sobre o tema.
A entidade sugere, porém, que continuem as manifestações de forma pacífica, sem obstrução das vias. A manutenção do protesto é apoiada porque a entidade não concordou com o acordo firmado na quinta-feira. "A Abcam continua sem assinar qualquer acordo com o governo e mantém o pedido de retirada do PIS/Cofins sobre o óleo diesel", cita o documento que lembra que a entidade tem reclamado sobre o tema desde outubro do ano passado. "É lamentável saber que mesmo após tanto atraso, o presidente da República preferiu ameaçar os caminhoneiros por meio do uso das forças de segurança ao invés de atender às necessidades da categoria."


