CRISE DE ABASTECIMENTO - Continuamos revoltados, dizem caminhoneiros
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sexta-feira, 25 de maio de 2018
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Em Londrina, caminhoneiros decidiram permanecer em greve em assembleia realizada na manhã de sexta-feira (25) em um ponto de paralisação na BR-369. O tráfego nas rodovias da região está liberado. O acordo anunciado na noite de quinta-feira (24) entre o governo federal e representantes da categoria foi considerado insuficiente pelos manifestantes, que continuavam parados em pontos de bloqueio nas rodovias da região e também no pool de combustíveis, o que agravou a crise de abastecimento nos postos da cidade. Pela manhã, a notícia de que havia álcool em um posto localizado na área central levou à formação de uma fila imensa. O combustível acabou por volta das 15 horas.
Até a noite de ontem, os manifestantes concentrados no pool só estavam liberando a saída de combustível para ambulâncias, veículos da Defesa Civil ou para empresas e serviços que conseguiram liminares.
"Continuamos revoltados, principalmente com quem assinou esse acordo", avisou Carlos Roberto Dellarosa, presidente do Sindicam, o sindicato que representa os grevistas. Segundo ele, os caminhoneiros esperavam uma redução de pelo menos 25% no preço do combustível e isenção no pagamento de pedágio pelos eixos suspensos dos caminhões. "Os 10% que ofereceram e que vai ser mantido por apenas 30 dias não valem nada. A mudança na alíquota do PIS-Cofins saiu da pauta", lamentou. O líder dos caminhoneiros considera que o acordo sugerido pelo governo foi apenas uma tentativa de desmobilizar a greve. "Vamos continuar parados", avisou.
FORÇA
O caminhoneiro Vanderlei Gumiero voltava de uma viagem ao Pará quando decidiu aderir à greve em Londrina na segunda-feira. "Começamos em quatro pessoas, mas o movimento foi ganhando força e agora vamos continuar parados. Todo mundo quer voltar para casa, mas não vamos abandonar essa luta", avisou.
Paulo César Oliveira também aderiu à manifestação quando voltava para casa em Joaquim Távora. Ele transporta uma carga de carne suína e só tinha diesel para manter a carga refrigerada até este sábado (26), mas afirmou que não ia abandonar o movimento. "Já tive caminhão e hoje sou terceirizado, porque não aguentei pagar os custos. Tudo que ganhava, gastava com combustível, pedágio e manutenção", afirmou.
SOLIDARIEDADE
Os mais de 500 caminhoneiros parados em Londrina contam com a solidariedade de comerciantes e da comunidade para continuarem o movimento. Muita gente tem ido até os pontos de bloqueio com doações de água e alimentos para os grevistas, como relata José Cristo, um caminhoneiro de Apucarana que se responsabilizou por organizar as refeições em um dos bloqueios. "As empresas e os moradores estão doando tudo que precisamos, Inclusive, estamos usando o banheiro das firmas vizinhas. Percebemos que a comunidade está nos apoiando", afirmou.
O revendedor de água e gás Luiz Fernando de Oliveira Gomes é um dos voluntários que fez uma doação de água aos manifestantes. "O Brasil está uma bagunça, precisamos dar mais importância a quem transporta as cargas", afirmou ele, que já sente os efeitos da greve no próprio negócio. "Não tenho mais gás para entregar", disse.

AGRICULTORES
No trevo de Cambé, um grupo de 15 agricultores se reuniu na manhã de sexta-feira em uma manifestação para mostrar apoio ao movimento dos caminhoneiros. Osvaldo Dante, produtor rural em Cambé, afirmou que o grupo considera as reivindicações justas e por isso decidiu apoiar. " O que os caminhoneiros sofrem, os agricultores sofrem também. Se o transporte encarecer ainda mais, corremos o risco de pagar para trabalhar", disse ele, que considerou as medidas apresentadas pelo governo insuficientes. "Foi oferecida redução de preço por 30 dias, mas depois pode vir uma alta absurda", teme. (Colaborou Vitor Ogawa)


