A recuperação da economia do Japão nos últimos meses e o consequente aumento da emigração de brasileiros descendentes de japoneses para trabalhar naquele país do Oriente – os chamados dekasseguis – agravou a crise financeira por que passam os clubes fundados e mantidos basicamente por nikkeis em várias cidades do Paraná.
A pior situação é a da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), que já teve mais de 2.000 sócios – nas décadas de 70/80 – e hoje conta com somente 600 afiliados pagando em dia suas mensalidades de R$ 35,00. A crise é tão forte que se tornou constante o atraso nos salários dos cerca de 30 funcionários do clube, cuja diretoria já pensa em recorrer novamente à venda de parte do patrimônio para saldar dívidas, a exemplo do fez em julho de 98.
Fundada em 1933 – um ano antes da emancipação do município de Londrina – com o nome de Associação Japonesa, ela se transformou em Acel em 55 ao se unir com a Associação de Moços, entidade igualmente ligada aos japoneses e seus descendentes brasileiros; os nikkeis. A área de 21 mil metros quadrados – na zona central e nobre da cidade – onde está instalada a sede social do clube foi adquirida em 39, com objetivo de proporcionar à comunidade nikkey um centro para a prática desportiva.
‘‘O número de sócios vem diminuindo nos últimos anos. Hoje temos cerca de 1.200 associados, mas a inadimplência é alta, em torno de 50%. Grande parte dos que deixaram de pagar é formada por dekasseguis. Aí está a base de nossa crise financeira’’, explica o diretor-executivo Osvaldo Mikio Kariya.
Segundo Kariya, a situação da Acel se agravou porque boa parte dos sócios mais antigos se aposentou e deixou de pagar as mensalidades, a faixa de adultos entre 25 e 45 anos ficou esvaziada com a saída dos dekasseguis – principalmente a partir de 91/92 –, e um grupo significativo de jovens deixou de frequentar o clube por outros motivos. ‘‘Além deles estarem gastando seu tempo com estudos, Internet, jogos eletrônicos e não terem mantido a ligação com a cultura japonesa, a Acel não foi capaz de oferecer a eles novos atrativos que justificassem a frequência’’, comenta o diretor, lembrando que a sede social da Acel é a única de um clube de Londrina que não possui campo de futebol suíço e nem ginásio de esportes coberto.
Sem divulgar o tamanho da dívida e nem o número do déficit registrado sucessivamente nos últimos anos, Osvaldo Kariya afirma que está difícil alcançar o tão sonhado equilíbrio operacional. ‘‘É complicado eliminar despesas de manutenção na infra-estrutura. Gastamos o mesmo para o tratamento de uma piscina que esteja sendo frequentada por 20 ou por 200 pessoas diariamente. Não dá para economizar energia na iluminação da quadra de tênis, mesmo que o número de usuários dela tenha baixado de 20 para dez.’’
O clube já demitiu metade do quadro de funcionários nos últimos cinco anos, o que gerou ações trabalhistas que consumiram – juntamente com os altos juros de financiamentos bancários – quase que totalmente os R$ 800 mil conseguidos com a venda de um terreno de 10 mil metros quadrados, em 98, para a Igreja Presbiteriana Central. No terreno vendido ficava o antigo campo de beisebol da Acel. Hoje, os dez novos campos – dois de nível internacional – ficam na sede campestre, numa área com 15 alqueires.
De acordo com o diretor-executivo, a diretoria não hesitará em vender parte destes dois imóveis se a crise exigir. ‘‘Estamos trabalhando para baixar a inadimplência, trazer de volta os sócios devedores e famílias de dekasseguis, e ampliar nosso quadro com a conquista novos sócios. Além de diminuir ao máximo o custo operacional. Mas se tudo isto não bastar, a Acel não vai ser vendida e nem desaparecer. Ela é muito grande, tem uma história a zelar, e um patrimônio bastante valorizado’’, explica Kariya, lembrando que as duas principais missões do clube são manter viva a cultura e tradição japonesas e servir de clube social e esportivo a seus sócios.
O principal evento da Acel é a Exposição Agrícola de Londrina, que ocorre sempre em junho e neste ano realizará sua 41ª edição. Na do ano passado, ela contou com cerca de 400 expositores e foi visitada por mais de 55 mil pessoas. Nas décadas de 60 a 80, o clube foi um celeiro de atletas na natação, futebol de salão, tênis e tênis de mesa; além do beisebol. Este último é o único que se manteve conquistando títulos para a Acel nos últimos anos.

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