O debate sobre o aumento do número de mulheres como autoras de crimes se arrasta desde os anos 1990, mas a socióloga Silvana Mariano, professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), revela que até agora não há teoria sobre o tema. ''O foco dos estudos é sempre a mulher como vítima da violência'', diz.
Ela defende, entretanto, que as mudanças estruturais, materiais e culturais da sociedade possam explicar esse fenômeno. ''Hoje, com o confinamento doméstico das mulheres em parte superado e a maior equalização nos papéis de gênero, elas têm maior participação em todas as esferas da sociedade, inclusive no crime'', pontua, acrescentando que, assim, a violência e a criminalidade parecem não mais distinguir masculino e feminino.
Outro aspecto apontado pela socióloga é que o crescimento do número de mulheres criminosas derruba o mito de que elas não cometem transgressões e, quando o fazem, é por amor. Por outro lado, lembra que, em números absolutos, a presença das mulheres no sistema penitenciário é baixo em relação aos homens, mas escandaliza pelo imaginário social que leva em conta as construções dos papéis de cada gênero.
Silvana aponta ainda o crescimento do tráfico de drogas como um fator que explica o súbito aumento no número de detentas. E lembra que a maior presença de jovens relaciona-se com o fato de a juventude, em geral, ser mais suscetível ao tráfico e à violência urbana.
Independentemente do sexo, a professora avalia que os presos, da forma como são isolados em uma ''nova sociedade'' no sistema prisional, têm poucas chances de ressocialização quando terminam de cumprir a pena, o que acaba levando à reincidência. Por isso, uma solução seria a redução do sistema carcerário. Além disso, a oferta de boas oportunidades para grupos socialmente em desvantagem poderia interferir no crescimento no volume de presas, assim como a revisão do acesso à Justiça.(C.A)

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