CRIATIVIDADE - Internet favorece comércio sustentável
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sábado, 07 de setembro de 2013
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Fã de roupas de brechó, a estudante Lavínia Almeida Rocha, de 16 anos, costumava percorrer as lojas da cidade em busca de bons produtos que, nas mãos da adolescente, ganhavam cara nova por meio de técnicas de customização. Com o armário cheio de shorts, camisetas, jaquetas e bolsas que nem sempre eram usados, ela criou um grupo no Facebook para trocar as peças com as amigas e, dessa forma, renovar o guarda-roupa sem gastar muito. A iniciativa ganhou proporções que não foram planejadas por Lavínia. Em menos de um ano, o grupo "Enjoei, e aí?" é um sucesso em Londrina e região, com mais de 16 mil seguidores e realização de trocas e vendas de roupas, calçados, acessórios, móveis, equipamentos eletrônicos e toda sorte de produtos.
Praticamente nascida na era digital, Lavínia reativou, por meio da internet, a antiga prática do escambo, que nada mais é que a troca direta de mercadorias sem necessidade de dinheiro. Preocupada em gastar menos sem abrir mão de se vestir bem, ao incentivar a compra e venda de produtos usados ela também contribuiu para envolver milhares de pessoas em uma forma de comércio mais sustentável.
Com tantas adesões ao grupo, Lavínia realiza hoje a segunda edição do bazar físico do "Enjoei, e aí?" (leia mais nesta edição). Ela abrigará 50 expositores que, mediante pagamento de uma taxa e adesão a regras como ter um número mínimo de peças para vender e oferecer coisas de boa qualidade, poderão comercializar produtos usados para os visitantes do "bazar de garagem".
A escola, o estágio em uma clínica veterinária e o grupo virtual de troca e venda tomam todo o tempo de Lavínia. Com planos de, no futuro, abrir uma loja on-line, a estudante de ensino médio está fazendo cursos de web design e matemática financeira, que acredita serem úteis para o possível negócio. "Estou esperando abrir vaga para o curso de gerência", conta ela, que como tantas outras meninas desta geração, recorre à própria internet para encontrar soluções para eventuais dificuldades.
Foi na rede, por exemplo, que ela aprendeu a customizar roupas e acessórios. É também pela internet que ela faz contatos, vende as próprias produções e ainda arregimentou colaboradoras que ajudam na administração do grupo.
Gerenciar uma comunidade de mais de 16 mil pessoas, aliás, dá muito trabalho. "A gente lida com pessoas de vários jeitos e com noções diferentes de educação", conta. Para evitar confusão, ela estabeleceu regras severas de utilização do espaço. "Quem desrespeita é notificado e, se não resolver, acaba banido", diz.
Entre outras advertências, não pode falar mal do produto alheio ou anunciar produtos sem preço. "O objetivo é evitar que os vendedores estabeleçam os valores de acordo com a cara da pessoa", explica. Além disso, são proibidos leilões e, naturalmente, a comercialização de produtos proibidos. "Muita gente entra procurando remédio para emagrecer. Eu excluo as postagens e aviso quem postou que não pode. Também teve um caso de uma mulher que se ofereceu para fazer trabalhos de faculdade, o que é proibido", revela.
Obstinada, Lavínia surpreendeu até a mãe, Márcia Rufino de Almeida, com o sucesso do "Enjoei, e aí?". "Ela é estudiosa e pensa no futuro. Tenho muito orgulho dela", conta. Como todas as mães, Márcia se preocupa com as atividades da filha na internet e, por isso, procura acompanhar de perto as atividades da menina. "Estou sempre perguntando sobre o grupo", acrescenta.
De espírito empreendedor, Lavínia quer trabalhar com moda, mas também pretende fazer faculdade de Medicina Veterinária. "Ainda vou montar uma loja virtual de roupas para cachorros", garante.


