Feira de Santana (BA) Adriano Pereira da Silva tem 15 anos. Faz três anos que deixou de trabalhar no sisal, em Nova Fátima, na região de Feira de Santana (BA). Antes, dos 6 aos 12, ia todos os dias cortar sisal. A rotina diária era das 6h30 às 11h. À tarde, estudava.
Josenildo Coelho dos Santos, 13 anos. Trabalhou dos 7 aos 10 no sisal. Ele é o caçula de Luísa, 44 anos, mãe de 10 filhos. Todos passaram a infância cortando sisal. Josenildo foi o único a deixar o trabalho para ficar apenas na escola.
Adriano e Josenildo são duas das 70 mil crianças baianas que trocaram o sisal pela bolsa do Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) do Governo Federal. Elas recebem R$ 25,00 por mês para frequentar a escola e a jornada complementar.
Se o Peti já transformou a realidade de muitas crianças em todo o Brasil, a bolsa beneficia cerca de 800 mil crianças e adolescentes , algumas entidades se reuniram na região do semi-árido baiano para que as famílias tenham condições de sobreviver de forma autônoma.
Em 1996, o MOC (Movimento de Organização Comunitária), com apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Retirolância (que fica na Rodovia do Sisal), criou o projeto Bode Escola, que financiou um bode e quatro cabras para cada família, cujos filhos pararam de trabalhar. No início, eram 30 famílias. Hoje, o projeto atende a 210.
O trabalho conta também com apoio do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Juntas, as entidades buscam recursos em instituições e em vários países para financiar projetos que visam a geração de renda e a erradicação do trabalho infantil.
No último dia 18, foi lançado outro programa pelo MOC com um novo parceiro: é o Cabra Escola, que aperfeiçoa o Bode Escola. E o novo parceiro é nada menos que a Pfizer, a maior fabricante de medicamentos do mundo, com sede nos Estados Unidos.
O lançamento foi em Feira de Santana (BA). Com a liberação de US$ 70 mil a fundo perdido, a Pfizer vai beneficiar 100 famílias de pequenos agricultores e demais trabalhadores da zona rural. Todas as famílias têm filhos que já são atendidos pelo Peti e, portanto, não estão mais trabalhando. São moradores dos municípios de Serrinha, Riachão do Jacuípe, Nova Fátima e Ichu 25 famílias em cada um, com propriedade de até sete hectares.
Os recursos liberados pela Pfizer serão administrados por cooperativas de crédito fundadas pelo MOC. Cada família vai tomar dinheiro emprestado, com dois anos de carência e mais seis para pagamento.
Vão receber cabras e bodes, de acordo com o tamanho da terra, cercas, e a palma uma vegetação nativa resistente à seca que garante alimentação ao rebanho o ano todo. Além disso, as famílias já estão sendo treinadas para a criação dos animais.
A previsão é que as famílias tenham retorno financeiro em dois anos, com incremento da renda em torno de R$ 70,00 por mês, com a venda do leite, da carne e até da pele do animal. Os animais também irão melhorar a qualidade da alimentação da família.
A jornalista viajou a Feira de Santana (BA) a convite da Pfizer

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