CRESCIMENTO REGIONAL - Trabalhadores buscam alternativas no trânsito
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sábado, 08 de junho de 2013
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
São as boas oportunidades de trabalho que motivam profissionais de Londrina a buscarem empregos nos municípios da região. Movidos pela necessidade, eles encaram diariamente a rotina de ir e vir pelas rodovias que interligam os municípios, enfrentando o trânsito cada vez mais pesado. Para não viajarem sozinhos, os trabalhadores encontram soluções como rodízio de carros e transporte oferecido pelas próprias empresas. A viagem solitária é a opção de quem não consegue conciliar o horário com outros viajantes. O bancário Thiago Cardoso vive há cinco anos a experiência de morar em Londrina e trabalhar em Arapongas, onde foi
aprovado em concurso público. Para economizar os custos com combustível e pedágio e evitar o estresse diário de dirigir na rodovia, ele e outros três colegas fazem revezamento de carros. "A cada semana, uma pessoa vai com o próprio
carro e paga o pedágio. Além de ser mais barato, é menos cansativo", explica. Como um dos colegas é de Cambé, os três londrinenses combinam um segundo revezamento para chegar até o município vizinho nos dias em que "o motorista da vez" é o cambeense. "A gente deixa o carro na casa dele e continua a viagem", explica. O trajeto dura de uma hora a uma hora e meia, dependendo do horário.
"É cansativo, mas compensa. Além disso, a convivência no carro é sempre agradável", considera. A maior preocupação de todos é a exposição diária ao pesado trânsito das rodovias. "Vemos acidentes toda semana", conta. Em sentido oposto ao do bancário, a psicóloga e professora de música Rosa Maria da Silva Nagao viaja seis dias por semana para Jataizinho, onde trabalha como psicóloga do município, atende pacientes de um centro de recuperação e ainda dá aulas de piano. Natural da localidade, ela se mudou para Londrina após o casamento, mas nunca cortou os vínculos com a cidade de origem. "Fiz faculdade de psicologia já madura e tinha o sonho de trabalhar em Jatazinho para ajudar a população", revela Rosa, que já dava aulas de música e atendia no centro de recuperação do município uma vez por semana. Quando passou no concurso municipal, passou a acumular os três trabalhos na cidade, que se somam às aulas de piano que ministra em Londrina.
Para dar conta da rotina, ela viaja todos os dias pela manhã e retorna no horário do almoço. Aos sábados, enfrenta a estrada novamente para atender os alunos de piano. O trânsito e o custo do combustível não assustam Rosa, que considera
uma "realização pessoal" trabalhar no município. "O mais difícil é o cansaço com o trânsito", diz. Pamella Scheel, analista júnior de Controle de Qualidade da indústria Sandoz, em Cambé, mora em Londrina e utiliza o transporte oferecido pela
empresa para chegar todos os dias ao trabalho. Convicta de que as boas oportunidades não podem ser desperdiçadas, ela considera que os benefícios oferecidos pela empresa compensam as viagens diárias. Todos os dias, Pamella sai
de casa às 5h10 e chega à indústria de medicamentos meia hora depois. Lá, toma café e começa a trabalhar às 6 horas. "Também almoço e descanso na empresa, que oferece estrutura para isto. Não tenho qualquer dificuldade", conta ela, que retorna às 15 horas e chega em casa 40 minutos depois. Estrutura Patrícia Pecego, diretora de comunicação da Sandoz, explica que a matriz da indústria fica em Cambé, onde trabalham em torno de 500 pessoas. Metade delas vêm de Cambé e o restante de Londrina. "A empresa oferece transporte para todos os funcionários", destaca, ressaltando que o local não foi uma escolha da Sandoz, que comprou a antiga Hexal. Além de atrair trabalhadores de Londrina e Cambé, Patrícia
conta que a empresa traz, também, colaboradores de outros estados e países, principalmente para os cargos executivos. Bruno Boufleir Bataier, responsável
pela área de Recursos Humanos da Sandoz, considera que a região de Londrina é excelente para recrutar talentos para os cargos destinados a profissionais em início
de carreira. Quando as oportunidades são para posições de coordenação, gerência ou que exijam conhecimentos muito específicos, porém, fica mais difícil encontrar pessoas preparadas. "Por isso investimos em treinamento técnico e de
gestão", revela. Sobre a acessibilidade da fábrica, Bataier critica a falta de linhas de transporte coletivo na vizinhança da empresa. "O ponto mais próximo fica a mais
de um quilômetro. Se o colaborador precisar entrar ou sair fora do horário, tem que andar muito ou usar meio de transporte próprio."


