CRESCIMENTO REGIONAL - O ônus da metropolização
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sábado, 08 de junho de 2013
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Problemas que só se intensificam com o passar dos anos. Esta é a sensação de quem pega a estrada diariamente para estudar ou trabalhar em cidades vizinhas. Criada há 15 anos, a Região Metropolitana de Londrina (RML) pouco apresentou até agora em resultados práticos. À população que depende dos chamados deslocamentos pendulares (que vêm e vão, em movimento similar ao de um pêndulo) para sobreviver ou se qualificar resta a sensação de descaso e falta
de planejamento e preparo para lidar com uma nova configuração do mercado de trabalho, que passou a oferecer oportunidades também nos centros menores. Embora tenha formalizado a RML em junho de 1998, o governo do Estado só instalou a Coordenadoria da Região Metropolitana de Londrina (Comel) quase uma década depois, em 2007. A professora do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Tânia Maria Fresca defende na tese de pós-doutorado intitulada "Deslocamentos Pendulares na Região Metropolitana
de Londrina-PR: uma aproximação" -, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que os resultados da atuação da Comel "ainda são parcos" porque o governo, "desde sua instalação, não fez a efetiva dotação orçamentária, exceto aqueles projetos que estão em curso mediante recursos federais oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)". Tânia concentrou sua pesquisa nos deslocamentos diários feitos por milhares de pessoas que estudam ou trabalham nos municípios vizinhos. Os dados são de 2011 e, uma das constatações foi que, até aquele momento, o transporte público metropolitano continuava deficiente. Não havia (e ainda não há), por exemplo, uma linha que ligue diretamente Londrina a Primeiro de Maio. "Diante das dificuldades, muita gente passou a se locomover com veículos particulares", afirma a geógrafa. Mesmo assim, as médias diárias
de pessoas utilizando-se do transporte público, entre novembro de 2009 e dezembro de 2010, nas linhas Londrina-Cambé e Cambé-Ibiporã ultrapassaram as 15 mil. A professora da UEL constata que nos últimos anos houve uma intensificação das relações com os municípios vizinhos, motivadas acima de tudo por questões ligadas a trabalho, saúde, educação, consumo e lazer. "Há um desenvolvimento
econômico regional que dinamizou muito estes fluxos. Não se trata de um fenômeno recente, mas que se intensificou e está mais nítido agora", argumenta a docente. "Vivemos um processo de metropolização, com problemas típicos. Há características de metrópole presentes em Londrina." O primeiro sinal deste processo, de acordo com Tânia, está na forma. "Não há mais a visibilidade de onde estão os limites entre uma e outra cidade". Para a geógrafa, os problemas
relacionados ao trânsito e à falta de infraestrutura são consequência de um processo muito significativo, que não vem recebendo a devida atenção do poder público. "Vivemos em uma região muito importante, que precisa de investimentos
coordenados e integrados. Os problemas que estamos vivendo só acontecem em áreas economicamente muito dinâmicas", observa. Papel agregador O coordenador da Comel, Victor Hugo Dantas, admite que os resultados práticos do trabalho realizado pelo órgão demoram a aparecer, e credita o fato aos muitos anos de distanciamento entre os municípios da região. Segundo ele, porém, esta realidade está mudando. "Hoje, além dos 15 municípios que integram a Região Metropolitana (Londrina, Cambé, Bela Vista do Paraíso, Jataizinho, Ibiporã, Rolândia, Sertanópolis,
Tamarana, Primeiro de Maio, Alvorada do Sul, Assaí, Sabáudia, Jaguapitã, Pitangueiras, Florestópolis e Porecatu), trabalhamos em conjunto com Arapongas e Apucarana, que são considerados municípios conurbados a Londrina e que poderão ser integrados à RML no futuro." Segundo Dantas, a sede da Comel, atualmente funcionando no Jardim Botânico (Zona Sul) também abriga as reuniões da Associação de Municípios do Médio Paranapanema (Amepar). "Como instituição, a RML tem hoje um papel agregador, que extrapola os limites da macrorregião. Trata-se de uma instituição motivadora, que busca diminuir as distâncias com o
Palácio Iguaçu, defende. Ainda de acordo com o coordenador, o órgão não tem dotação orçamentária específica porque, até um tempo atrás, "não havia clima político adequado junto aos mandatários das cidades participantes". Entre as conquistas já obtidas com a maior participação de todos, o coordenador da
Comel cita as obras de duplicação da PR-445; a vinda para o interior, pela primeira vez, do Comando Aéreo de Resgate e a instalação em Londrina da primeira Unidade Paraná Seguro (UPS) do Norte do Estado. Além disso, Dantas adiantou que está sendo planejada a construção, em breve, de um terminal metropolitano que deve melhorar as condições de atendimento dos usuários do transporte integrado. A Reportagem procurou a Secretaria Municipal de Fazenda para obter informações sobre o número de empresas que se instalaram nos últimos anos em municípios da RML ou que transferiram a sede de Londrina para cidades menores, mas foi informada que o município não conta com este tipo de levantamento.


