Também em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, está o crematório de animais pioneiro do Paraná, o Pet World, em funcionamento desde 2005. Assim como o cemitério Jardim do Bom Amigo, foi concebido a partir de uma difícil experiência dos donos. ''Na época nos causou desconforto e até revolta a ausência de um serviço de cremação. Passamos então a pensar em algo que atendesse também às necessidades emocionais das pessoas. Acho que houve uma quebra de paradigmas, porque no começo percebíamos que as pessoas eram mais reticentes. Tivemos que conquistar a confiança delas. Hoje o serviço já é bem mais procurado'', informa Leia Consani Penner, gerente comercial do crematório.
Segundo Leia, nos últimos anos a cremação passou a ser bastante utilizada inclusive por proprietários de animais de outros municípios do Paraná. É comum, nestes casos, as famílias optarem por transportar o corpo via aérea (a TAM Cargo é a única companhia que presta o serviço). ''Geralmente os donos vêm no mesmo voo, acompanham a cremação e voltam para casa no mesmo dia.'' A gerente diz ter percebido, nos últimos anos, uma mudança na forma de as pessoas enxergarem os animais. ''Hoje eles são considerados membros da família, por isso os proprietários querem um tratamento à altura do sentimento que têm.''
Para Leia, a preocupação com o meio ambiente não é a principal preocupação dos donos, no momento em que têm que decidir sobre a destinação do corpo do seu bicho de estimação. ''O que pesa mesmo é a questão afetiva'', acredita. A maioria das famílias, de acordo com a gerente, leva as cinzas para casa, para posteriormente decidir se vai jogá-las em algum local ou guardá-las. Os custos da cremação variam de acordo com o porte do animal e dos serviços embutidos, mas vão de R$ 130 (cremação coletiva) a R$ 700 (cremação individual).
Entre os proprietários de animais que optaram pela cremação no momento da morte está a chef de cozinha Carla Fabiani Celli Fast, de Curitiba. No início de 2010, ela perdeu três cães em um curto espaço de tempo (entre janeiro e março) e, conforme explicou, não passou pela sua cabeça enterrá-los. ''Eu poderia ter enterrado em um terreno que mantenho perto de casa para meus cães se exercitarem, mas me apavorava a possibilidade de outros animais sentirem o cheiro e desenterrá-los, como aconteceu com uma amiga minha. Foi uma cena muito chocante, acho que eu não suportaria.'' Para Carla, cremar os seus cães foi uma forma de homenageá-los. Hoje a chef mantém as cinzas de dois berneses e uma yorkshire em pequenas urnas na sala de casa. (S.L.)

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