Nos cartazes empunhados pelos manifestantes que tomaram as ruas do Brasil nas últimas semanas, muitos dizeres e frases de efeito pedem o fim da corrupção. A prática é sempre associada aos políticos. Especialistas ouvidos pela FOLHA advertem, porém, que a mesma está presente em diversas esferas da sociedade, inclusive na prática de recorrer ao "jeitinho brasileiro" para obter vantagens sobre outras pessoas.

Para o doutor em Filosofia Clodomiro José Bannwart Júnior, professor adjunto do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), corrupção "é uma degeneração, um afastar-se da retidão, sejam leis ou valores, partilhados pela sociedade". Está presente em várias esferas e é praticada por agentes públicos e se observa nas ações cotidianas das pessoas, o que envolve desde tentar subornar policiais de trânsito até a compra de produtos piratas, furar filas, roubar sinal de TV a cabo ou aceitar troco errado.

"A sociedade brasileira tem uma certa tolerância em relação aos valores que inibiriam a corrupção, o que se vê também no campo político, quando vemos candidatos já condenados sendo novamente eleitos".

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