Apesar de muitas pessoas já terem ouvido falar sobre células-tronco, muitas dúvidas e mitos ainda rondam o assunto. De onde são extraídas, para que servem e tratamentos disponíveis com comprovação científica são algumas das questões que permeiam o tema. A diferença principal está nos tipos de células-tronco existentes: as adultas - ou multipotentes - e embrionárias - ou pluripotentes (maior alvo de polêmica na área médica e ética).
Segundo a biomédica Helen Miranda, que realiza seu pós-doutorado sobre ''Células-tronco pluripotentes induzidas'', na Universidade da Califórnia, as adultas são extraídas tanto da medula óssea quanto do cordão umbilical e têm sido transplantadas para o tratamento de algumas doenças, sobretudo os cânceres sanguíneos. ''O sangue da medula óssea é extraído de dentro do osso da bacia do doador. Agora, tem-se difundido a obtenção de células-tronco do sangue do cordão umbilical e da placenta que, até então, eram jogados fora.''
As duas técnicas possuem vantagens e desvantagens. As células-tronco por meio da medula, precisam, necessariamente, de uma pessoa que aceite doar o sangue. ''Ainda que seja um procedimento cirúrgico simples, em caso de compatibilidade, pode acontecer de o doador se recusar.'' Já no caso da doação do sangue do cordão não existe este problema. ''Se existir compatibilidade, não será necessário contatar o doador, pois as células-tronco já estão armazenadas. Portanto, é só realizar o transplante'', explica.
A primeira, entretanto, é mais utilizada em adultos, pois a quantidade de células retiradas do cordão umbilical podem não ser suficientes para o peso. ''Por isso, esse procedimento (do cordão) acontece mais em crianças.'' Indagada quanto ao armazenamento em bancos privados, a biomédica é reticente quanto à forma como vendem o serviço. ''Vejo muitas promessas desses locais dizendo que a pessoa pode recuperar os movimentos após um acidente, por exemplo. As pesquisas estão muito longe dessas comprovações.''
Segundo Helen Miranda, os pais que optarem por armazenar o sangue do cordão umbilical dos filhos devem ter em mente que o material dificilmente irá ajudar a própria criança. ''Considerando que o bebê manifeste uma doença no futuro, as células armazenadas possuem a mutação genética da doença manifestada. Mas há grandes chances de um irmão poder ser beneficiado pela maior compatibilidade'', diferencia a biomédica. (M.T.)

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