Palotina Entre 1996 e 1997, a Cooperativa Agrícola Mista Vale do Piquiri (Coopervale) sediada em Palotina, no oeste do Paraná, investiu US$ 45 milhões em um moderno complexo avícola, sem contar outros US$ 25 milhões aplicados por cooperados, a fim de viabilizar a avicultura na região. Seis anos depois, o presidente da empresa e principal idealizador do projeto, Alfredo Lang, avalia: ''Ainda não ganhamos dinheiro com o frango''. Mas ele afirma que foi uma iniciativa importante de agregação de tecnologia à propriedade, de valor à matéria-prima, que contribui para fixar o homem ao campo e aquecer a economia local e regional. Um dos benefícios foi a geração de emprego: em 1997 a cooperativa tinha 546 funcionários; hoje são 2.604 empregados.
O frango C-Vale surgiu com a pretensão de conquistar clientes internacionais. A prova de fogo, no entanto, seria o mercado interno. Para Lang, tudo deveria vir a seu tempo. Assim como foi feito com a implantação do projeto resultado de pesquisa e adoção de tecnologia de várias partes do mundo , com os aviários climatizados, eficientes e mais produtivos, e indústria de ponta, para atender o exigente mercado de Primeiro Mundo. Atualmente, são abatidas 150 mil aves por dia. ''Com isso, o consumidor nacional ganhou também, porque a nossa linha de produção é única e o produto que vai para o exterior é o que chega às gôndolas dos supermercados no Brasil'', comenta.
Hoje as vendas externas representam 50% da receita da avicultura. E contribuem com 20% na formação da receita bruta da cooperativa que, no ano passado, foi de R$ 844 milhões. A previsão é movimentar R$ 1.026 bilhão neste ano. Segundo Lang, o frango já chega a mais de 15 países. Em alguns, como Itália, Bulgária e Japão, a marca C-Vale é encontrada nas gôndolas dos supermercados. No entanto, o melhor momento do mercado, ocorrido em 2001 como efeito da síndrome da vaca louca na Europa, não foi aproveitado pela cooperativa. Lang diz que quem estava operando no mercado internacional ''ganhou muito dinheiro'', pois o valor da tonelada do peito de frango valia até US$ 1 mil a mais em relação aos preços praticados no momento, que estão em torno de US$ 2 mil.
Há 34 anos no mercado, atuando em 23 municípios do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraguai, e com mais de 7 mil associados, as principais fontes de receita da Coopervale são a soja, o milho, o trigo e a mandioca. Segundo Lang, pelas características locais, as opções de atividades são poucas, pois não pode contar com a fruticultura, cana-de-açúcar e café, que existem em outras regiões. ''E o frango foi a alternativa que pareceu mais viável, por proporcionar agregação de valor à matéria-prima'', diz. No início, boa parte dos cooperados não acreditava no sucesso do empreendimento. ''Naquele momento, a proposta, para eles, parecia uma coisa absurda'', recorda.
Lang afirma que atualmente a percepção é outra, porque o integrado á atualmente são 230 avicultores convive com tecnologia de Primeiro Mundo em sua propriedade. Ele explica que, com a ''chegada do frango'', houve uma mudança de mentalidade, porque a atividade exige a adoção das novidades do setor. ''A avicultura incorpora tecnologia muito evoluída, aliás, é a atividade que passou por mais transformações nos últimos anos, inclusive em genética, a ponto de o ciclo do frango diminuir um dia a cada ano que passa'', comenta.

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