Cooperação reduz crimes no campo
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sábado, 25 de agosto de 2001
Dalva Regina Barbosa<BR>Especial para a Folha 
A cooperação entre a comuni dade e a polícia fez baixar para zero o índice de assaltos a pro priedades rurais de Guaíra locali zadas em uma área de 90 quilômetros de extensão à margem do Lago de Itaipu, na divisa com o Mato Grosso do Sul e na fronteira com o Paraguai. Uma queda significativa se comporada com o índice registrado pela Polícia Militar (PM) de Guaíra de 1989 a 1994: 180 ocorrências na zona rural do município. Os agricultores daquela região atribuem a atual fase de sossego à criação do Conselho Comunitário de Segurança de Guaíra (Conseg), que equipou e passou a contribuir financeiramente com a Patrulha Rural, órgão criado pela PM em 1994.
Apesar de funcionar também desde 1994, o Conseg foi criado oficialmente, como sociedade civil e de direito privado sem fins lucrativos, em 1998. Mas a tranquilidade tem um preço para os proprietários de sítios e fazendas: contribuição mensal paga ao conselho, por meio de carnês, que variam de R$ 5,00 a R$ 30,00.
''Essa verba é destinada para dar condições de trabalho à polícia, especialmente para a Patrulha Rural, que hoje funciona perfeitamente'', explica o agricultor e engenheiro agrônomo João Francisco Sanches Filho, um dos idealizadores do Conseg. ''Após cinco reuniões infrutíferas que promovemos com os representantes de órgãos públicos de segurança, políticos e lideranças regionais para acabar com a ação violenta das quadrilhas, com assaltos que ocorriam quase todas as noites, organizamos os agricultores e resolvemos nós mesmos tomar a iniciativa'', justificou.
Ele lembra que as quadrilhas compostas de 8 a 15 pessoas intimidavam as famílias, chegando na propriedade com reféns como escudo, humilhando e praticando atos de violência, inclusive sexual. ''O pânico fez muitos produtores rurais venderem suas terras e motivou a mudança de suas famílias para outras regiões'', afirma Sanches Filho.
A área ''protegida'' pelo Conseg, à margem do Lago de Itaipu, tem dezenas de pontos vulneráveis com portos clandestinos de embarque de veículos roubados para o Paraguai e de desembarque de contrabando para o Brasil.
''Como cidadãos, não podíamos ficar de braços cruzados, alguma coisa tinha que ser feita'', completa Donato da Rocha Gomes, agricultor e presidente eleito da atual diretoria do Conseg, que tomou posse no último dia 5.


