Consumo é maior no Sul
A Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE 2012) identificou que os adolescentes do Sul superam em 10% o índice nacional de experimentação de bebidas alcoólicas antes de concluírem o 9º ano do ensino fundamental. Na região, 76,9% dos meninos e meninas já provaram bebidas alcoólicas nesta fase da vida.
Outros aspectos investigados também indicam maior consumo nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Enquanto 50,3% dos estudantes brasileiros do 9º ano consumiram uma dose inteira de bebida pelo menos uma vez, no Sul o número sobe para 56,8%. Já em relação aos alunos que beberam pelo menos um dia, nos 30 dias anteriores à pesquisa, os números indicam média de 26,1% no Brasil e 56,8% no Sul. Os sulistas também sofreram mais episódios de embriaguez: foram 27,4% de respostas afirmativas nos estados da região, contra 21,8% no País.
A pesquisadora Tatiana Amato, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que não há dados que expliquem cientificamente esta tendência. Por especulação, porém, ela aponta que a situação econômica privilegiada da região e consequentemente das famílias que aqui vivem possa facilitar o acesso dos adolescentes às bebidas.
A psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e presidente do Conselho Municipal de Políticas sobre Álcool e Outras Drogas de Londrina, Ana Carolina Athayde, afirma que, a exemplo dos relatos coletados pelo estudo da Unifesp, os adolescentes de Londrina também são pouco sensíveis aos discursos que apenas proíbem o uso do álcool. "Eles ainda não sofreram as perdas e consequências negativas já experimentadas por adultos", diz. Por isso, ela destaca a necessidade de trabalhar linguagens mais próximas da realidade da faixa etária. "É preciso tentar entender o que está motivando o uso do álcool", defende.
A psicóloga Patrícia Imakami Moreira, da Associação Água Pura, que recebe pacientes usuários de álcool e outras drogas a partir dos 12 anos, alerta que nos últimos dez anos a procura de atendimento para adolescentes aumentou entre 70% e 80%. "O problema independe da classe social", afirma, lembrando que o consumo de bebidas facilita o contato com outras drogas.
Ana Carolina confirma a afirmação. "Noventa por cento das pessoas que usam drogas o fazem junto com álcool". Segundo ela, isso ocorre porque as bebidas promovem a fragilidade do estado de consciência, deixando as pessoas propensas ao uso de outras substâncias. Ela denuncia, ainda, que em Londrina o acesso de menores às bebidas alcoólicas é simples, apesar da legislação proibir a venda. "Falta fiscalização", constata. (C.A.)





