Não são necessários muitos números ou índices para constatar que Londrina oferece centenas de produtos e serviços de alto padrão. Basta dar uma volta na cidade e nos centros de compra para verificar o vasto mercado voltado à classe mais abastada. Exemplo disso são a proliferação de concessionárias de veículos importados, imóveis valorizados e lojas de marcas renomadas e de grife.
Engana-se quem pensa, porém, que esse mercado é exclusivo de famílias ricas tradicionais ou representantes de setores que há décadas determinavam a elite econômica do Norte do Paraná, como, por exemplo, a agropecuária. Hoje, é comum encontrar pessoas que ascenderam financeiramente graças ao trabalho, exclusivamente, entre os consumidores de carros importados de R$ 100 mil, imóveis de R$ 1 milhão, peças de roupas de R$ 1 mil ou festas que chegam a custar R$ 400 mil.
''Esta ascensão social positiva que está acontecendo há alguns anos é reflexo do momento econômico pelo qual passa o País, com facilidade de emprego, oferta de crédito e baixa de preços de alguns produtos'', observa Marcos Pazzini, coordenador da pesquisa divulgada pela IPC Marketing Editora, ''IPC Maps 2012''.
Este cenário, segundo Pazzini, tem levado ao fortalecimento da classe B e da classe C, além do esvaziamento das classes E e D. Os domicílios considerados da classe B, conforme a metodologia utilizada na pesquisa, têm renda média mensal domiciliar entre R$ 3.175,00 e R$ 6.410,00.
''Desta forma, acredito que muito em breve haverá uma revisão do Critério de Classificação Econômica Brasil, a fim de mostrar um retrato mais atualizado da classificação dos domicílios'', diz o coordenador. Segundo a pesquisa, B1 e B2 devem representar 46,7% do consumido no País este ano, ou seja, quase metade de todo o consumo nacional, o que dá algo em torno de R$ 1,275 trilhão. No total, o Brasil deve consumir R$ 2,725 trilhões em todas as classes, um crescimento de 3,6% com relação a 2011. A classe C deve ser responsável pelo consumo de R$ 681,5 bilhões, o que representa 25% de participação.
Empresários
O poderio econômico da ''nova classe B'' é confirmado por empresários ouvidos pela FOLHA e que atendem a este público. Segundo eles, são pessoas que enriqueceram, sobretudo na última década, graças ao crescimento econômico do Brasil. Para Pazzini, a classe B é que tem consumido produtos e serviços considerados de luxo. ''É reflexo do que chamamos de 'segunda onda migratória' no País pela classe B em evidência, principalmente nas cidades de médio e grande porte'', resume, completando que o primeiro movimento beneficiou a classe C, a partir de 2002.
Há quase 30 anos no ramo imobiliário, o empresário Raul Fulgêncio diz que 80% de seus clientes fazem parte desta faixa econômica. ''Há pouco mais de 10 anos, as construtoras não tinham coragem de construir torres de imóveis de alto padrão. Grupos se reuniam e formavam consórcio para a construção ser viabilizada'', conta. Hoje, segundo ele, no entanto, este público é o que mais cresce na cidade. ''São pessoas com faixa salarial de R$ 15 a R$ 25 mil mensais, como comerciantes, muitos da área médica e até mesmo alguns cargos do funcionalismo público.''
Exemplo de como o mercado tem potencial, o empresário cita que há duas semanas lançou um empreendimento de moradia, que vendeu metade das unidades em apenas um final de semana. ''Negociamos 36 apartamentos no valor de R$ 1,3 milhão cada. O resultado é reflexo de que as pessoas estão ganhando mais porque a base da pirâmide está consumindo mais.'' E, ao contrário de décadas anteriores, de acordo com Fulgêncio, são pessoas que compram para morar e não apenas com o objetivo de investimento ou especulação.
Glauco Bordignon, proprietário da Golden Fish, especializada em veículos aquáticos e embarcações, em Londrina, prevê um crescimento de 70% nas vendas deste ano. ''Quando as pessoas ganham mais, investem em lazer. E nossa região é favorável para quem gosta de água'', diz. Segundo ele, 70% de seus clientes são empresários de vários ramos e, também, autônomos. ''Uma lancha de fibra para passeio custa a partir de R$ 60 mil e chega até R$ 130 mil. Um jet sky, em média, começa a partir de R$ 35 mil, mas há modelos de até R$ 70 mil.''

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