Diretor do grupo Euro Import no Paraná, Ricardo Cunha Pereira diz que somente a classe B já é responsável pela metade das vendas dos veículos importados na concessionária, sobretudo, da marca BMW. ‘‘O público comprador ligado ao agronegócio ainda é forte, mas temos clientes desde profissionais liberais, pequenos empresários até comerciantes e funcionários públicos’’, afirma. E a região de Londrina tem um público expressivo, sendo que, apenas no mês de agosto, a unidade local representou 35% das vendas em todo o Estado.
  Numa conta rápida, ele argumenta que não é preciso ser milionário para comprar um carro importado. ‘‘Por exemplo, um casal cuja renda é de R$ 15 mil e dá seu carro de entrada na média de R$ 35 mil, vai ter uma prestação de aproximadamente R$ 1 mil / R$ 1,5 mil. Este casal não ganha mal, mas também não é super rico. E com certeza pode arcar com este custo para desfrutar de um carro de luxo’’, resume o diretor, acrescentando que os preços mais acessíveis e as condições de pagamento favoreceram o acesso aos veículos. A partir de R$ 100 mil é possível comprar um carro importado na concessionária.
  Por isso, de olho nos novos clientes, a unidade acaba de triplicar seu espaço físico para abrigar mais modelos das três marcas que representa e a primeira concessionária de motos fora da capital. ‘‘Isto é reflexo de que há demanda para veículos de luxo no município e na região. A nova loja representa este leque de possibilidades’’, atesta Pereira. A venda de carros da BMW no Estado só perde para São Paulo, ficando à frente do Rio de Janeiro e Minas Gerais. ‘‘Dos 1.819 carros importados emplacados no Estado até o final de agosto de 2012, 454 foram da marca, cerca de 25% de todo market share; somente Londrina representou 27,2%’’, pontua o diretor. Até três anos atrás, este número não passava de 20%.

Oportunidade
  O consultor de segurança em informação Bruno Gonçalves de Oliveira, 27 anos, que mora em Londrina, leva uma vida impensável para muita gente da mesma geração. Funcionário de uma multinacional na área de TI, ele tem um bom salário e hábitos de consumo que incluem carros importados, viagens, roupas de grife e bons restaurantes.
  A boa vida é fruto de dedicação ao trabalho. ‘‘Há alguns anos, eu arrumava computadores em Cornélio Procópio’’, recorda. A oportunidade de ouro para a ascensão profissional veio às custas de muito esforço. Mesmo ganhando pouco, ele conseguiu uma chance de dar uma palestra sobre segurança nos Estados Unidos, pagou todas as despesas da viagem e, graças aos contatos feitos com pessoas influentes, na ocasião, foi contratado para o atual emprego.
  Com a vida financeira estabilizada, investiu no próprio escritório (ele trabalha em casa) e realizou o primeiro sonho de consumo: comprou um Hyundai i30 zero quilômetro. ‘‘Foi meu primeiro carro’’, conta ele, que um ano e meio depois trocou o veículo por uma BMW 318i. Não contente, fez novo investimento e deve receber, em dezembro, uma BMW 320i. ‘‘Gosto muito de carros, por isso troco com frequência’’, simplifica.
  Aficionado por produtos eletrônicos, Oliveira também faz questão de comprar as novidades da área sempre que viaja ao exterior a trabalho. ‘‘Já encomendei um iPhone 5’’, revela. As roupas de grife também são adquiridas fora do País. ‘‘Minha mãe sempre gostou de se vestir bem e mantive o mesmo hábito. Nunca compro nada em grandes magazines.’’
  No Brasil, costuma levar a esposa para fazer compras em locais badalados de São Paulo, como a rua Oscar Freire e o Shopping Morumbi. O novo projeto de consumo é um apartamento de pelo menos 150 metros quadrados, em Londrina, que deve custar em torno de R$ 500 mil. ‘‘Quando coloco algo na cabeça, faço acontecer’’, diz. O segredo para alcançar o sucesso, segundo ele, é se dedicar ao trabalho e saber o que quer. ‘‘Quem é realmente bom no que faz e tem foco na profissão, vai ter sucesso. Quem gosta de dinheiro tem que buscar.’’

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