Consumo de crack ocorre perto dos pontos de venda
Motivada por um pedido de ajuda de um ex-aluno dependente de crack, uma professora universitária da área de saúde, em Londrina, decidiu pesquisar sobre o universo dos usuários da droga no município. Durante três anos ela percorreu pontos de venda e uso da droga na Área Central da cidade e o que encontrou foi uma situação alarmante. ''É um grande engano achar que o problema só atinge pessoas em situação de risco social. Ele está em todas as classes'', alerta ela, que preferiu não se identificar para preservar a própria segurança.
No contato com os usuários, a professora detectou que o entorpecente é consumido de duas maneiras. Uma delas é o uso nas ruas, em locais próximos aos pontos do que chama de ''tráfico pequeno''. ''Eles conseguem dinheiro guardando carros ou pedindo esmolas, compram a droga, consomem-na e voltam a pedir dinheiro para comprar mais, porque o efeito é bem rápido'', relata.
Normalmente, escolhem lugares escondidos para usar, numa tentativa de disfarçar o descontrole motor causado pela droga. ''A polícia costuma aparecer e dissolver a movimentação dos usuários, mas logo eles encontram outro local. Os pontos são migratórios.''
A outra forma, mais difícil de observar, é o uso do crack dentro das residências. Nas casas, segundo ela, a droga chega por um organizado sistema de ''delivery''. Os usuários fazem o pedido por telefone e a encomenda é entregue por motociclistas que, apesar de transportarem embalagens com pizza ou outros alimentos para disfarçar, levam a chamada ''bala'' na boca, enrolada em várias camadas de papel filme. ''Se a polícia para, eles engolem'', conta.(Carolina Avansini)





