Cerca de 80% das pessoas que fazem tratamento no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) em Londrina têm o álcool como maior problema na dependência. Segundo a coordenadora do projeto, Marcia Avelar, grande parte teria iniciado o alcoolismo pela cerveja ainda na adolescência.
''Culturalmente, a cerveja é usada em celebrações. E, por ter um teor alcóolico mais baixo, não é tida como nociva. O problema é que, com o tempo, é preciso uma quantidade maior para trazer a mesma sensação. Por ser mais cara, muitos migram para os destilados, principalmente a cachaça'', pontua Marcia, completando sobre a permissividade cultural.
A cerveja é muito utilizada por adolescentes, mas, de acordo com ela, os que chegam para o tratamento não possuem somente esta demanda. ''O álcool nesta faixa etária deveria ser uma preocupação, mas não é. Por experiência, percebemos que a bebida é uma das primeiras substâncias que os adolescentes têm contato. Mas só procuram tratamento se forem dependentes de outras drogas ou se tiverem problemas graves de saúde na idade adulta'', diz. Cerca de 95% dos menores atendidos pelo programa em Londrina fazem uso do álcool simultaneamente ao de drogas ilícitas.
Sobre as propagandas, a coordenadora é enfática ao afirmar que exercem forte influência sobre as pessoas. ''Os comerciais são sempre atrativos, passando a ideia de que a cerveja é saborosa. Ao mesmo tempo, é amplamente ofertada nas prateleiras dos mercados, bares e postos de gasolina, aos olhos de todos. Como não há fiscalização na venda, os menores aproveitam a brecha, incentivados pela imagem passada.'' O álcool, conforme ela, é a principal preocupação de dependência no município, sobretudo, dos moradores de rua, os quais 90% são alcoolistas.

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