Com a queda nos preços médios de comercialiazação da safra, o mercado se abre para uma expansão horizontal dos ganhos. Consequentemente, está aberto também um cenário mais otimista para os pequenos e médios produtores.
Na avaliação do consultor em agribusiness da Safras & Mercado Consultoria, Paulo Molinari, com preços altos e escassez de produtos, somente uma parte ganha: a que produz, ou seja, o setor primário. Ao contrário, quando se tem uma safra alta, com oferta abundante e preços médios, o consumo aumenta e há reflexos que atingem os setores secundário (comércio) e terciário (serviços).
Ele pontua que nesse ano, com o baixo preço do milho, por exemplo, a economia abriu-se para uma expansão horizontal, beneficiando pequenos e médios produtores e também as indústrias que utilizam o produto, como as granjas de suínos. A produção de milho nessa safra registrou aumento de 40% na produtividade – de 5,9 milhões de toneladas para 8,3 milhões de toneladas.
O presidente da Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária, Geraldo Rodrigues Fróes, ressalta que é comum os preços caírem na safra, mas acabam voltando aos patamares normais com a aproximação do final da comercialização da produção. A fundação é mantida pelos produtores de soja e trigo dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Ele também credita o bom resultado desse ano à melhora da produtividade, já que a área plantada, cerca de 2,2 milhões de hectares, não cresceu.
Fróes afirma que, em linhas gerais, ‘‘o comércio de sementes mantém-se numa média estável há bastante tempo’’. Por isso, segundo ele, não é comum também o produto registrar grandes alterações de preço. Ele calcula que o valor da semente para a próxima safra deve girar em torno de R$ 30,00 por hectare, basicamente o que o produtor já pagou na safra passada.
A Milênia Agrociência, de Londrina, acusou aumento de procura em relação ao milho. ‘‘Não temos números fechados, o que deve sair em abril ou maio, mas subiu em torno de mercado total’’, informa o gerente de planejamento estratégico da Milênia, Paulo Renato dos Santos Colares.
Com o aumento da produção os preços internos caíram e a saída para os produtores, na opinião do gerente, deverá ser a exportação. Como o produto nacional não é modificado geneticamente há um bom espaço no mercado externo, segundo Colares.
Por outro lado, ele analisa que o mercado está na dependência de como se dará essa comercialização: exportação do produto in natura ou por meio do produto carne, uma vez que o grosso do consumo de milho recai sobre abatedouros e frigoríficos. ‘‘Se seguir com a exportação (in natura), baixa a demanda para o mercado interno e o preço deve subir’’.
O presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), Romeu Carlos Royer, classifica como altamente benéfico para os criadores o resultado alcançado com o milho nesta primeira safra de 2001. Em contrapartida, ele diz temer que o baixo preço da saca, que hoje está em menos de R$ 7,00, possa interferir negativamente na produção de 2002. Como saída, ele prega a instituição do preço mínimo de R$ 8,00 a saca, uma forma de todos lucrarem com os bons resultados.
A produção recorde de milho aliada à campanha de marketing que os suinocultores já fazem há três anos, contribuiram para que a previsão de exportação aumentasse em 88% nos três primeiros meses deste ano. Com isso, a previsão de exportação para o ano passou de 160 mil toneladas para mais de 200 mil toneladas. No ano passado, o mercado externo comprou pouco mais de 123 mil toneladas de carne suína brasileira.
A propaganda dos suinocultores também fez aumentar o consumo interno da carne de porco. De outubro de 98 ao final de 2000, esse mercado cresceu 32%. ‘‘É o resultado do que a classe fez para o consumo’’, avalia Royer.
Mesmo diante de toda essa exuberância econômica, o presidente da APS recomenda cautela aos produtores, que devem ‘‘buscar crescer de acordo com a demanda’’. ‘‘Se conseguirmos exportar 400 mil toneladas, por exemplo, é ótimo, mas (o produtor) tem que estar atento ao mercado’’, alerta.

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