O drama enfrentado pelas crianças e adolescentes com transtornos mentais em Londrina acaba envolvendo o Conselho Tutelar, que além de encaminhar famílias para o Caps 1 ainda tem que atuar como mediador para garantir atendimento a meninos e meninas que porventura venham a entrar em crise.
A conselheira Leonir Alves Garcia relata que em situação de surto, as famílias costumam a ligar para o Samu ou até mesmo para a Polícia Militar, que não atendem esta faixa etária sem a presença de um conselheiro.
"Não temos condições de chegar primeiro e conter a crise. Temos que negociar com estes órgãos e o processo acaba sendo demorado, aumentando o risco para o adolescente e sua família", diz, acrescentando que a solução está em unificar o atendimento por um único telefone especializado no encaminhamento dos casos envolvendo pessoas com menos de 18 anos.
A conselheira denuncia que, no município, a parcela da população mais jovem que precisa de atendimento em saúde mental padece da demora em conseguir vagas. Segundo ela, os problemas são normalmente detectados na escola.
O tempo de espera entre os primeiros sintomas e o laudo que garantiria o atendimento é longo para uma criança que necessitaria de intervenção imediata. "Neste meio tempo, a criança ou adolescente é excluído do grupo, sofre bullying... Falta de atendimento é uma violação de direitos", enfatiza.
A realidade é confirmada pela psicopedagoga Lucy Mara Conceição, que além de atuar na Escola Estadual Tiradentes é mestre em Educação e coordena o curso de Pedagogia da Unopar no campus de Arapongas.
Ela relatou que, nas escolas, quando comportamentos incomuns são observados nos alunos, o procedimento é chamar os pais para verificar a existência de algum problema pessoal e reforçar a necessidade de procurar uma unidade básica de saúde para encaminhamento ao atendimento especializado.

‘Sem ter o que fazer’
Paralelamente, a própria escola inicia um processo para encaminhar o estudante à chamada sala de recursos multifuncionais. "A dificuldade é que mandamos a avaliação para o núcleo (Núcleo Regional de Ensino), mas como a demanda é grande, o retorno às vezes demora mais de um ano. Neste meio tempo, a escola fica sem ter o que fazer", diz.
Durante a espera, cabe à equipe pedagógica encaminhar sugestões aos professores para trabalhar com os alunos que apresentam dificuldades. A realidade, porém, é que os educadores precisam dar conta de uma sala de aula cheia e nem sempre têm condições de atender os adolescentes com transtornos de forma diferenciada. "Outra questão é que os professores não possuem formação para lidar com necessidades especiais", diz.
Apesar de avaliar que o Paraná está avançado, Lucy considera que o atendimento ainda é deficitário e defende que o ideal seria garantir um professor de apoio para cada aluno atendido nas salas de recursos. "Para muitas destas crianças, as únicas pessoas que cuidam estão na escola", afirma.
Ansiedade, síndrome do pânico, automutilação, transtornos do espectro autista e agressividade exagerada são os problemas mais comuns que chegam à escola. "Muitas crianças são vítimas da angústia e de problemas familiares", acredita.

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