Conselho de Saúde proíbe trabalho com jato de areia
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segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
Kraw PenasO jateamento de areia vai ser proibido no Paraná a partir de 1º de janeiro do ano que vem. A medida anunciada pelo Conselho Estadual de Saúde foi motivada pelo avanço da silicose, uma doença pulmonar grave e incurável. Uma pesquisa na Região Metropolitana de Curitiba mostrou que 83% dos empregados do setor morreram ou ficaram doentes, informa o coordenador do Centro Metropolitano de Apoio à Saúde do Trabalhador (Cemast), Guilherme Albuquerque.
Kraw PenasPerigoValdemar Zanatta, 26 anos (acima), hoje está aposentado por invalidez depois de cinco anos de trabalho com jateamento de areia. Tive que permitir a retirada de 35% de um pulmão para que fosse feita uma biópsia, conta. Guilherme Albuquerque, do Cemast (ao lado), contabiliza cerca de 2,5 mil pessoas expostas à silicose no ParanáO que mais chamou a atenção do Cemast durante a pesquisa foi a situação de uma empresa - já fechada - de jateamento de areia de São José dos Pinhais. Havia 12 trabalhadores. Conseguimos levantar informação sobre dez deles. Desse total, quatro tinham morrido por causa de silicose, cinco eram portadores da doença e um, o próprio dono da firma, estava com problema respiratório e, portanto, sob suspeita, revela Albuquerque, assustado com a estatística.
Quando o secretário de Saúde do Paraná, Armando Raggio, homologar as normas definidas pelo conselho, 212 empresas da Região Metropolitana de Curitiba deverão estar adaptadas. A sugestão para os empresários é usar granalha de aço como abrasivo (material cujo atrito arranca partículas de outros objetos), pois pode ser reutilizada 300 vezes. O jateamento de areia libera uma partícula, a sílica, que é inalada pelo empregado, se instala no pulmão e causa a doença capaz de matar.
Fornecedores de materiais para jateamento de areia estimam que há 500 empresas no setor, afirma o coordenador do Cemast, que estuda a evolução da silicose há quase um ano. Como cada empresa tem, em média, cinco funcionários, cerca de 2,5 mil pessoas estariam expostas à silicose no Paraná, o segundo Estado no País a proibir a atividade. O Rio de Janeiro foi pioneiro, seguido pelo município de Joinville (SC). Na Inglaterra, a proibição existe desde 1949.
Respiração difícil - Uma das pessoas expostas à silicose foi Valdemar Zanatta, 26 anos, hoje aposentado por invalidez. Bastaram cinco anos de atividade com jateamento de areia - comum nessa espécie de polimento de pedras, vidros e metais, por exemplo - para a doença comprometer sua capacidade respiratória. Tive que permitir a retirada de 35% de um pulmão para que fosse feita a biópsia, conta ele. É difícil respirar, acrescenta. Zanatta toma medicação diária para evitar falta de ar e infecção pulmonar.
Eu trabalhava com escafandro para não respirar a sílica, mas nada adianta se você entra em contato com o pó antes ou depois do serviço, diz o ex-empregado da Jato de Areia Valle, de São José dos Pinhais, já falida. Segundo Zanatta, um colega de empresa morreu devido à silicose e outro está muito doente. E eu preciso ir ao médico todo mês, completa. Guilherme Albuquerque avisa que o Cemast necessita de três radiologistas treinados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para agilizar os diagnósticos no Paraná.


