CONFLITO - 'O sistema força o policial a não reclamar'
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sábado, 17 de março de 2012
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
''Na prática, a gente age no improviso.'' O desabafo é de um soldado da Polícia Militar (PM) de Londrina que, apesar de ter recebido vários treinamentos para lidar com conflitos, nem sempre consegue aplicar os ensinamentos no dia a dia. ''Quando a situação está inflada, nem sempre é possível aguardar apoio, como somos orientados. É nessa hora que o policial tem que se virar e pode acabar se complicando'', acrescenta.
Há mais de 15 anos na corporação, ele já enfrentou inclusive um processo por comportamento abusivo. ''Estava fazendo a apreensão de um adolescente maior que eu e, na contenção, ele se machucou. A Vara da Infância e Juventude recebeu denúncia do pai do adolescente, que foi quem chamou a polícia porque o filho estava descontrolado, e me acusou. Acabei condenado e tive de pagar cestas básicas.''
No dia a dia, ele sente-se tolhido de direitos. ''Estou dando uma entrevista sem me identificar porque temo represálias. O sistema atual acaba forçando o policial a não reclamar'', considera, lembrando que a consequência são profissionais totalmente desmotivados. ''Quem perde é a população'', sentencia.
No Corpo de Bombeiros, a principal reclamação diz respeito à falta de efetivo. ''No Siate, trabalhamos com dois homens ao invés de três. No caminhão, onde deveria haver quatro bombeiros para atender ocorrências, tem sempre um a menos'', relata um soldado da corporação em Londrina. ''Muitos colegas estão com problemas na coluna e tomam remédios para conseguir trabalhar'', acrescenta.
O problema é agravado pela remuneração defasada que obriga muitos bombeiros a fazerem ''bicos'' para complementar o orçamento. ''É claro que o serviço é afetado. Somos trabalhadores, não somos heróis.''
Ele também reclama do desrespeito a direitos básicos garantidos pela Constituição. ''A Polícia Militar é regulada pelo Regulamento Disciplinar do Exército, que tem aproximadamente 50 anos. Muitos direitos incluídos na Constituição de 1988 não são estendidos aos policiais. Um deles, inclusive, é o direito a nos expressarmos.''


