CONFLITO - Na berlinda, militantes reclamam de opressão dos sem partido
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sábado, 22 de junho de 2013
José Lazaro Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - "Por que eu vou apoiar algum partido político nesse momento? Eu estou cansada da política que ri na nossa cara e rouba os nossos direitos. É uma política suja", reclamou Telma Melo, de 48 anos, corretora de imóveis. Ela foi entrevistada pela FOLHA nos protestos de quinta-feira passada na capital do Paraná, quando os partidos políticos e movimentos sociais combinaram de não recolher as bandeiras, apesar dos pedidos das correntes apartidárias.
Aos gritos de "sem partido", houve uma divisão entre as 3,5 mil pessoas reunidas na Boca Maldita, tradicional reduto de manifestações em Curitiba, e um grupo menor e apartidário seguiu um itinerário próprio pelo centro da cidade. Marcelo Cardoso, de 32, foi com eles. Trabalhador da construção civil, ele carregava uma bandeira do Brasil. "Eu simbolizo um brasileiro, eu quero a revolução. Essa política que está aí não aparece no momento em que a gente precisa. Eu quero ver a diferença", protestou. Ele faz o ensino médio e depois quer estudar Psicologia.
A reportagem da FOLHA falou com os jovens que guiavam esse grupo, na faixa dos 18 anos, e eles disseram respeitar os outros manifestantes. "A gente tem nossa ideologia, mas esse é um movimento sem partido", rebateram. Na frente da Prefeitura de Curitiba, os dois grupos se encontraram e os manifestantes se misturaram, dissolvendo a divisão. Os gritos de "sem partido" permaneceram, mas com menos intensidade. No grupo maior estavam filiados ao PSOL, PCB, PCdoB, PT e PMDB. Havia membros do MST, do Movimento pela Moradia e da CUT.
"Se a pessoa é de partido, ambientalista, do hip hop, do movimento estudantil ou sindical, isso não me interessa. Se concorda em reduzir a tarifa, vem pra rua. Estamos todos juntos. Tem militante há vários anos nessas lutas, quando eles (os "sem partido") nem sabiam o que era Facebook", declarou Patrick Leandro Batista, de 33, professor, mestrando em Antropologia e membro da Central Única dos Trabalhadores.
Carregando uma bandeira que fazia alusão ao comunismo, Celso Monteiro, de 24, não acatou os pedidos para esconder o sinal de sua filiação ao PCB. "(Essa repressão) faz parte de uma ideologia reacionária, com traços de fascismo, que foi um regime político que queria reprimir os partidos comunistas e operários. A gente entende isso como uma despolitização de direita, que se aproveita do senso comum da população", afirmou. Os militantes do PSOL optaram por bandeiras vermelhas, sem referência à sigla partidária.
"Podemos dar um passo para trás e depois dois para a frente. Estão achando que bandeira é ruim, a gente tira a bandeira. A intenção é participar das passeatas", disse Bernardo Pilotto, de 29, técnico da UFPR. "Não é mostrando a bandeira que vamos conseguir dialogar mais ou menos com a população. O símbolo está desgastado e, por si só, acaba afastando as pessoas nesse momento de ebulição social", ponderou Renato Freitas, de 29, assessor jurídico da Defensoria Pública. Ele também é membro do PSOL, mas não usou vermelho.
"Tentamos nos mobilizar antes do primeiro aumento da tarifa e reunimos só 30 pessoas", relata Lafaiete Neves, de 68, professor aposentado. "As pessoas estão cansadas. Elas delegaram poder e não estão mais sendo consultadas. Isso é um caso novo para o mundo inteiro, é o nosso Occupy Wall Street. Os jovens não se reconhecem nessa democracia representativa. É a luta pelo eu existo, eu posso, eu tenho poder", diz Neves, desfiliado do PT desde 2004, após participar da fundação da legenda.
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