O professor Walter Logatti Filho, representante das instituições de ensino no plenário do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), aponta que o fenômeno é resultado da grande demanda por engenheiros atualmente no Brasil.
''Se o mercado de trabalho está ruim, os recém-formados se direcionam para a pós-graduação. Mas, nos últimos três anos, com a grande demanda por engenheiros, principalmente pela área de construção civil, os recém-formados estão entrando diretamente no mercado de trabalho'', explica Logatti.
Ele cita como exemplo um programa de pós-graduação em Engenharia de uma universidade de Goiás. ''No ano retrasado, esse programa ofereceu 10 vagas, e se inscreveram 80 interessados. No ano seguinte, apenas 11 interessados apareceram'', descreve o conselheiro federal.
Logatti pondera que essa discrepância na busca por graduações e mestrados ou doutorados nas Engenharias pode gerar dois efeitos negativos. Em primeiro lugar, com menos graduados em Engenharia interessados em se aprofundar nos estudos, podem faltar professores nos cursos de graduação da área.
''Qualquer faculdade hoje exige dos docentes especialização, mestrado, doutorado. Hoje, já está havendo dificuldades para conseguir professores'', explica o conselheiro. ''Antes, a pessoa com mestrado ou doutorado não ia para o mercado, ia para a vida acadêmica. Agora, o mercado está pagando mais.''
O outro problema é que as obras de infraestrutura e o desenvolvimento tecnológico de que o Brasil vai necessitar nos próximos anos vão exigir profissionais cada vez mais especializados. Com procura menos intensa por mestrados e doutorados, pode ocorrer uma falta de engenheiros capacitados à altura.
''Isso precisa passar pelo Ministério da Educação, talvez por um aumento dos valores das bolsas da Capes, algum programa do Ministério de Ciência e Tecnologia. Precisa haver algum incentivo do governo'', defende Logatti. (F.G.)

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