Sebastião Calacans de Oliveira, 44 anos, dono de um mercado na localidade de Cercadinho, em Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba), relata que a comunidade local está acostumada com alagamentos na região. Segundo o comerciante, "umas duas vezes por ano" a chuva forte provoca o extravasamento do Rio Verde, que passa ao largo do bairro.

"Moro no sobrado onde fica o mercado. Quando dá temporal, aqui sempre alaga. Há dois anos, a água bateu na porta do mercado, mas não entrou. Mas tem duas casas minhas, que eu alugo, em que a água entrou. Um vizinho meu perdeu tudo duas vezes em três anos por causa de alagamento", relata. Ele diz que os estragos da chuva de junho foram maiores do que em outras ocasiões. "Foi a pior desde que mudei para cá, há oito anos", lamenta.

Oliveira aponta que a comunidade do Cercadinho, que sofre com outros problemas (falta de asfalto, de rede de esgoto, que só agora está sendo implantada), já reivindicou soluções para o problema do alagamento, mas não foi atendida pela prefeitura. "Precisavam fazer uma limpeza no rio, ou 'endireitar' o rio, porque ele é muito estreito e tem muita curva. Ou então 'levantar' a rua", afirma o comerciante. "Umas 60 famílias sofrem com isso (alagamentos)".

Alexandre Custódio Telesse, coordenador da Defesa Civil de Campo Largo, afirma que algumas localidades do município sofrem problemas quando ocorrem chuvas fortes. Em Cercadinho, Itaqui, Itaboa e Bateias, são comuns alagamentos. Em outras, como na Ferraria, o maior transtorno são os deslizamentos de terra. O coordenador estima que hoje aproximadamente 3 mil famílias moram em áreas de risco em Campo Largo.

"Na hora em que acontece, tentamos socorrer as pessoas, orientar para que procurem um lugar seguro. Este ano, o governo liberou o saque do fundo de garantia. Também houve distribuição de cestas básicas", relata.

Telesse aponta que o ideal seriam projetos habitacionais para deslocar essas populações das áreas de risco. "A maior dificuldade é encontrar áreas regulares com infraestrutura para fazer esses loteamentos", alega. No momento, está sendo elaborado um plano de contingência, que vai normatizar ações de prevenção e procedimentos a serem adotados em situações de desastres. O documento está em fase final de produção e deve ser encaminhado ao setor jurídico da Prefeitura de Campo Largo em outubro.

A Secretaria Municipal de Viação e Obras informou que no momento estão sendo feitas obras de assoreamento, limpeza, alargamento e drenagem no rio que passa pela localidade de Bateias. A previsão é que depois seja realizado o mesmo trabalho na região do Cercadinho.

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