Comunidade critica a falta de recurso federal
Comunidade critica a
falta de recurso federal
Com verbas cada vez menores, poucos investimentos para melhorar a vida das comunidades indígenas e especulações sobre sua extinção, a Funai ainda é respeitada pelos índios paranaenses, a ponto de causar revolta quando alguma atribuição da entidade é transferida para outro órgão. Ruim com a Funai, pior sem ela, resume o cacique Jênjéra, usando ditado branco.
A crítica dos caingangues é para a iniciativa do governo federal de transferir para a Fundação Nacional de Saúde (FNS) a estrutura e o quadro de funcionários do atendimento médico das reservas, que até recentemente ficava a cargo da Funai.
O ministério de Saúde, entende de saúde, mas não entende de índio, diz Lourival de Oliveira, presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, que está reivindicando dois veículos novos e funcionários da FNS que permaneçam na reserva também durante os sábados e domingos, o que, segundo ele, não vem acontecendo.
Para o líder caingangue a reserva está se transformando em um ferro-velho da FNS. Apenas uma D-20 socorre os doentes e as parturientes. Sem dinheiro para a compra de peças, uma A-10 de mais de 20 anos está enferrujando. Enquanto isso, a gente vê em Curitiba um monte de carro novinho da FNS circulando só para serviços administrativos, observa.
Oliveira lembra que as comunidades indígenas não foram consultadas sobre a troca da Funai pela FNS. Nós vamos a Brasília protestar contra isto porque a qualidade do atendimento está caindo, informa. Se morrer algum irmão nosso por falta de funcionário ou falta de transporte, nós vamos processar o governo, ameaça.
Outra reclamação que está ganhando força na aldeia é a falta de apoio para os planos de expansão da atividade agrícola na reserva, que hoje se resume ao plantio de subsistência de arroz, feijão, milho e mandioca, em 50 alqueires.
O branco cobra porque não fazemos nada com a nossa terra, mas não fazemos por falta de incentivo. Não temos crédito bancário e um dos dois tratores está sem condições de uso, conta o cacique. Os caingangues devem liderar uma campanha para que o governo use as terras férteis das reservas para melhorar a renda, a infra-estrutura e a qualidade de vida dos índios. (L.F.M.)





