Enquanto o trabalho com os profissionais de sexo é limitado, os órgãos municipais e estaduais de saúde atuam com maior agilidade entre os caminhoneiros. E a preocupação com esse segmento é importante. Pesquisa feita pelo Ministério da Saúde no Porto de Santos (SP), constatou que metade dos motoristas que transitam no local não usam preservativos nas relações sexuais. Além disso, 1,3% deles já contraíram aids. ‘‘A falta de informação e a cultura machista expõem os caminhoneiros e suas famílias’’, diz Francisco Carlos dos Santos, da Coordenação Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids).
Santos conta que o governo realizou este ano uma campanha com o Serviço Social dos Trabalhadores do Transporte e o Sistema Nacional de Aprendizado do Transporte (Sest/Senat). Desde janeiro, os três órgãos distribuem panfletos para orientar os motoristas.
O material é similar ao que era distribuído pelo Grupo Pela Vidda. Essa coincidência acontece porque o ministério suspendeu o repasse de recursos a essa Ong, que cedeu os panfletos que tinha. Também foi suspenso o trabalho que os voluntários realizavam, desde 97, com prostitutas.
Além da distribuição de panfletos nas estradas, o governo estadual fez o mesmo trabalho, em parceria com a Secretaria de Saúde de Paranaguá, no Pátio de Triagem do porto, onde transitam diariamente 2 mil caminhoneiros. Nessa ocasião, foram distribuídos preservativos.
No entanto, os motoristas dizem que só receber panfletos não adianta. ‘‘A gente não encontra camisinhas no chiqueirão (apelido do pátio de triagem)’’, reclama o motorista Carlos Renato Ferreira. Solteiro, ele afirma que precisa parar nas cidades para comprar preservativo. ‘‘Se não fizer isso, arrisco tudo, já que as mulheres são mais rodadas do que eu.’’
Mas há aqueles que preferem se arriscar. ‘‘Quando tenho camisinha uso, mas se não tenho, não tem problema’’, diz o caminhoneiro Jose P., que preferiu não se identificar, por ser casado. Outro risco que os caminhoneiros enfrentam são os assaltos. Eles têm medo de ser roubados quando vão procurar as mulheres nas estradas ou próximo dos postos. (I.R.)

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