Dona de uma sorveteria em Cambé, Luzia Fagotti, de 60 anos, está satisfeita com o presente de aniversário que pediu – e ganhou – do marido em 2015: uma bicicleta elétrica. Ela abandonou a bike convencional e diariamente usa e empresta a elétrica para a filha, Francieli Alda, de 23.

"A bicicleta elétrica ajuda muito. Na subida, ela dá impulso quando a gente pedala. Não fica tão pesado quanto a outra [convencional]. Todo dia, vou à casa da minha mãe, do meu filho. Minha filha leva e busca o filho dela na escola. É muito gostoso", conta Luzia.

O uso de bicicletas elétricas foi regulamentado no final de 2013 pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que as equiparou às convencionais, desde que respeitados alguns critérios. Apesar disso e do aumento de ciclovias e ciclofaixas nas cidades brasileiras, o uso de bicicletas elétricas no País gera algumas discussões.

Não é difícil elencar uma série de motivos para se ter uma bike elétrica. Ela pode servir a quem tem alguma dificuldade motora ou mora em cidade com relevo acidentado. O usuário não deixa de fazer algum esforço e se exercitar, pois também é necessário pedalar.

Em comparação com carro e motocicleta, outras vantagens da e-bike são gerar menos despesas e não emitir fumaça que polui o meio ambiente. No entanto, no quesito ambiental, alguns benefícios tão divulgados pelas propagandas dos fabricantes e vendedores ainda são questionáveis.

"Nem todo produto que é vendido como ecológico deixa de ter significativo impacto ambiental", diz André Soares, presidente da União de Ciclistas do Brasil (UCB). Ele destaca o gasto de energia para recarga e o descarte da bateria, fonte da energia que alimenta o motor. "No Brasil, a geração de energia ainda requer grandes intervenções na natureza. E as baterias não duram tanto e muitas são poluentes", observa.

Limitadores

Com a resolução 465/13, do Contran, as bicicletas elétricas sem acelerador – conhecidas como pedelecs ou elétricas com pedal assistido – deixaram de ser equiparadas a ciclomotores. Essa equiparação continua valendo para as e-bikes com acelerador.

Nas pedelecs, o motor elétrico é acionado quando a pessoa está pedalando. Somente elas estão liberadas para circulação em ciclovias, ciclofaixas, acostamentos e bordas de vias urbanas e rurais. Devem ter potência de até 350 watts e podem alcançar velocidade máxima de 25 km/h. São dispensadas de emplacamento e tributação. Os condutores não precisam de habilitação.

"É conveniente dizer que existem critérios limitadores porque senão vamos ter uma profusão grande de máquinas disputando as poucas vias ciclísticas. Existe uma multiplicidade de tipos de bike elétrica que não se adaptam à resolução e precisam ser fiscalizadas", complementa Soares, da UCB.

Sem regulamentação em Londrina

Em Londrina, a circulação das bikes elétricas ainda não foi regulamentada. Isso significa que falta um complemento à legislação nacional para dizer como deveria ocorrer a fiscalização no município.

A e-bike, apesar de ser considerada uma tendência mundial, ainda não caiu no gosto dos londrinenses. Pelo menos essa é a percepção do diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Hemerson Pacheco. Segundo ele, o preço do veículo e a topografia da cidade são empecilhos.

"Em geral, só vejo vantagens no uso da bike elétrica, considerando a questão da saúde das pessoas e também a questão econômica no que se refere aos deslocamentos. A bicicleta sempre será bem-vinda", diz Pacheco.

mockup