COMPORTAMENTO - Alegria que faz diferença
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de julho de 2013
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
"Cara feia não paga as contas e ainda espanta a freguesia". A frase ouvida certa vez pela reportagem, quando atendida em um restaurante, ficou marcada na memória. A pessoa em questão era um garçom que, além de educado e prestativo, esbanjava simpatia e alegria enquanto trabalhava. Por isso, o momento em família ficou ainda mais agradável e especial pelo simples gesto do rapaz. É bom deixar claro que a postura do garçom ia além do bom atendimento, indispensável a qualquer prestador de serviço. Mas seu humor era o que chamava a atenção.
Quantas vezes um dia comum se torna diferente pela felicidade contagiante de alguém, sobretudo no local de trabalho? É indiscutível que quem trabalha com alegria "contamina" o ambiente com seu alto astral e entusiasmo. Sortudos aqueles que podem usufruir dessa boa energia que muda qualquer clima ruim. Há quem diga ainda que pessoas que trabalham felizes e com prazer são mais criativas e produtivas.
Mas o que será que move pessoas como o atendente de padaria Raimundo Nonato, o pedreiro José Antonio Oliveira e a zeladora Dilma da Silva a estarem sempre felizes no trabalho? A reportagem da FOLHA acompanhou um pouco da rotina desses trabalhadores reconhecidos por colegas e clientes pela alegria peculiar e pôde constatar que o estado de espírito não está relacionado a salário ou cargo. Eles afirmam que são felizes porque é bom viver sorrindo. Coincidentemente ou não, cantam músicas do Rei Roberto Carlos durante a labuta.
Quem passa pela padaria de um supermercado, da rua Quintino Bocaiúva, em Londrina, pode sair sem comprar pão, mas não sem dar algumas risadas com o cearense Raimundo Nonato. Ele é um daqueles sujeitos que não passam despercebidos e fazem questão de mostrar sua simpatia a todos, sem distinção. "Bolo de fubá cremoso com café fica mais gostoso", canta à reportagem enquanto pesa uma fatia, ainda sem saber que sua história sairia no jornal.
Com forte sotaque nordestino, ele improvisa rimas para atrair e divertir a clientela. "Meu nome é Raimundo e aqui tem pão para todo mundo", falava aos que passavam. Dono de um sorriso marcante, também não perde a oportunidade de fazer algum comentário positivo sobre os produtos. "Pão italiano com esse frio fica uma delícia com sopinha quente", diz a uma senhora. Em outro momento, arrisca trechos de uma canção de Roberto Carlos enquanto arruma os pães na prateleira.
Já ciente da reportagem no local, Nonato conta que vários clientes perguntam se ele ganha comissão para ser animado ou se já trabalhou em feira. "Minha alegria é espontânea, de forma natural. Me sinto bem quando consigo agradar as pessoas", diz ele, que recebeu um prêmio de funcionário destaque recentemente. Há dois anos na loja, é conhecido por todos os colegas. "Tem funcionário que me pede para trabalhar no mesmo horário que ele nos fins de semana", afirma Iraci Alves da Silva, supervisora do atendente.
Segundo ela, é comum clientes procurando por Nonato. "Cadê o 'maluquinho' da padaria?, perguntam. Ele é unanimidade e uma pessoa muito agradável", afirma. Compradora assídua, a aposentada Maria Helen Giovanini diz que gosta de ser atendida com alegria. "Há lugares em que os funcionários estão de cara feia, fechada. Quando aparece uma pessoa assim, de bem com a vida, não tem como não sentir-se bem também", resume. Se os adultos aprovam o astral de Nonato, as crianças ficam ainda mais curiosas; querem levar o pão para que ele faça uma brincadeira.
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