COMBATE À VIOLÊNCIA 'A verdade é que estamos largados aqui'
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sábado, 11 de agosto de 2012
Fábio Galão <br> Reportagem Local 
Em Apucarana, onde foi criado em março deste ano o primeiro Conselho Comunitário de Segurança Rural do Paraná, a diretoria critica a falta de mobilização: apenas 50 dos cerca de 1,3 mil proprietários rurais do município participaram das discussões para a formação do Conseg. Apesar de já estar constituída, a entidade só deve iniciar atividades após as eleições municipais. ''É para não ter conotação política'', justifica Jorge Nishikawa, presidente do Sindicato Rural de Apucarana e vice do Conseg.
Segundo ele, o grupo deve atuar com reivindicações, colaboração com a polícia e orientação aos produtores, para que adotem medidas preventivas contra a onda de violência na zona rural. Nishikawa lembra que a ideia de formar a entidade surgiu após o crescimento dos números de roubos e furtos nas propriedades da região nos últimos anos.
''Os produtores rurais enfrentam várias dificuldades: câmbio, clima, pragas diversas. E agora apareceu uma praga que anda em duas pernas. Esta é a pior. Não rouba apenas a produção, mas também equipamentos, adubos, inseticidas, e pode machucar e até matar os trabalhadores e suas famílias, além de deixar sequelas psicológicas'', diz Nishikawa.
Os produtores interessados em criar o Conseg rural chegaram a desanimar diante dos trâmites burocráticos. O projeto só foi adiante após a FOLHA publicar uma matéria sobre o tema, no final do ano passado.
Aerton Chimentão, administrador de uma fazenda da região, espera que o trabalho do conselho faça aumentar a presença policial na área rural de Apucarana. A propriedade que ele administra foi alvo de ladrões duas vezes. Na primeira vez, em 2007, os criminosos utilizaram o próprio embarcador fixo da fazenda para levar 46 cabeças de gado em caminhões. O administrador trocou o embarcador fixo por um móvel. No ano seguinte, novamente ladrões entraram na propriedade. Como não conseguiram levar nada, mataram três animais. ''Acho que quiseram dar um sinal, dizer que poderiam entrar quando quisessem'', acredita Chimentão.
Nos últimos anos, algumas mudanças foram adotadas: portão eletrônico, alterações na iluminação da fazenda e na rotina de trabalho. Em breve, devem ser instaladas câmeras de segurança. ''A verdade é que a gente está largado aqui. Pensamos em contratar uma empresa de segurança, mas o custo é inviável'', lamenta o administrador.
O próprio Nishikawa foi vítima de roubo na sua propriedade, no ano passado. ''Eu tinha uma casa rural de peroba, para colonos, que não estava sendo utilizada. Um sujeito apareceu, acompanhado de uma mulher, e disse aos empregados que havia comprado a casa. Veio um caminhão, eles desmontaram a casa e levaram embora'', lembra o produtor.
A Polícia Militar possui atualmente apenas uma equipe de patrulha rural na região de Apucarana, composta de dois policiais. A FOLHA perguntou ao comando geral da PM, através da assessoria de imprensa da corporação, se haveria planos para reforçar o efetivo policial em áreas rurais do Paraná, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.


