Na contramão da realidade observada no mercado de trabalho brasileiro, uma empresa sediada em Londrina se destaca pelo cuidado em relação à mão de obra feminina e à oferta de oportunidades às mulheres. Na Apetit, da área de refeições industriais, 93% dos quase 2 mil colaboradores são do sexo feminino. Entre eles, destaca-se a presença de 91% de mulheres nos cargos de liderança.
A empresa foi reconhecida pela ONU como uma das companhias brasileiras que mais impulsionam a autonomia feminina por meio de programas e ações internas, ficando em segundo lugar na classificação do prêmio Wes, que tem como principal objetivo estimular as empresas brasileiras a adotarem um conjunto de princípios que promovam uma cultura igualitária nas organizações, tomando como base os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs, do inglês Women´s Empowerment Principles).
A gerente de estratégia Pamela Manfrin explica que a empresa investe na mão de obra feminina por acreditar que as mulheres são bastante engajadas e têm um cuidado com o próximo que faz diferença no trabalho. São oferecidos diversos programas com benefícios, inclusive com foco em garantir tranquilidade para as que decidem ser mães. Ao longo da gestação, a mãe é acompanhada por profissionais competentes desde a gestação até o nascimento da criança. O programa também monitora e incentiva a realização de exames periódicos durante o período gestacional.
Uma das práticas consolidadas é garantir que a colaboradora tenha seu espaço após a licença-maternidade, proporcionando as condições necessárias para que tanto a saída quanto o retorno sejam tranquilos.
"Temos a Universidade Corporativa que garante a formação interna de pessoas que possam suprir a ausência da gestante no período de afastamento, sem prejudicar o desempenho em seu retorno", explica Pamela, acrescentando que 30% do quadro de funcionários têm acesso a promoções anuais, incentivos que resultam à empresa um crescimento de 25% a 30% por ano.
A nutricionista Aline Siqueira Tassi, coordenadora de planejamento e engenharia de cardápio, é uma das profissionais que teve acesso ao crescimento na carreira dentro da empresa. A última promoção, porém, surpreendeu pelo período em que foi oferecida, logo após retorno da licença-maternidade. "Foi muito bom, porque me ofereceram um novo desafio e também a oportunidade de acompanhar mais de perto o desenvolvimento do meu filho (atualmente com 8 meses), pois na função anterior eu tinha que fazer muitas viagens", conta.
No setor operacional, a cozinheira líder, Neide de Souza Santos, relata que o apoio da empresa foi fundamental para ela decidir se aperfeiçoar na área. Viúva, ela começou a trabalhar na companhia há dez anos, quando o filho único tinha apenas 11 anos, e sempre contou com o apoio dos gestores para participar de eventos na escola ou mesmo atender o filho quando era necessário. "Nunca fui ameaçada. Por isso decidi fazer o curso de cozinheira industrial", conta.

COWORKING

Durante a experiência de 9 anos em uma escola de Londrina, a psicopedagoga Ana Tereza de Luca presenciou a angústia de muitas mães que precisavam voltar ao trabalho sem estarem preparadas para a separação dos filhos ainda bebês. Identificou, também, que muitas delas não recebiam acolhida nas empresas em que trabalhavam. Pensando nelas, junto com a psicóloga Nicole Pimentel, decidiu empreender e abriu o Espaço Baobá – Vivências pelo Brincar. O local oferece atividades para crianças de zero a 6 anos, na parte da manhã, e também atende à tarde crianças de 3 a 10 anos. O local das atividades incentiva brincadeiras e tem um conceito de "quintal". Além disso, disponibiliza para os pais um escritório em formato de coworking com telefone e rede de wi-fi. "O objetivo deste espaço é atender mães que precisam trabalhar, mas ainda não se sentem preparadas para deixar as crianças", conta.
Toda a organização do local também é acolhedora às famílias. As mães que estão no escritório, por exemplo, podem ser surpreendidas com um quitute preparado pelas próprias crianças ou até serem "convocadas" a dar uma atenção especial ao filho em um momento de carência. Mesmo os pais que apenas deixam os filhos diariamente para as atividades são convidados a entrar e conhecer a rotina. "É uma solução bacana para quem tem flexibilidade, o que ainda é exceção no mercado de trabalho", lamenta.

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