Ao contrário do receio de alguns especialistas que veem com temor a vinda de estrangeiros ao Brasil, o professor de carreira e comportamento do Isae/FGV, Luciano Salamacha, diz que o momento é propício para aprendermos com o conhecimento dos imigrantes. ‘‘A médio e longo prazo estamos economizando vários anos de investimento para acelerar o crescimento do País. Afinal, quanto tempo levaríamos para qualificar todas as pessoas necessárias?’’, indaga.
A afirmação vai ao encontro de estimativas internacionais que apontam que enquanto no Brasil apenas cerca de 10% dos adultos têm nível superior, na Itália e no México essa parcela atinge 15% e no Chile é de quase 25%. Na França a parcela com educação superior é próxima à média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (30%), enquanto na Coréia e nos EUA encontra-se ao redor de 40%.
De acordo com o professor, os profissionais estrangeiros não estão tirando emprego de nenhum brasileiro. ‘‘Isso aconteceria caso tivéssemos uma taxa de desemprego alta e deficit de empregos’’, pondera. Para ele, assim como já aconteceu em outros momentos da história do País, a imigração de alguns profissionais é muito benéfica. ‘‘O Paraná é um grande exemplo de como a cultura nipônica trouxe tecnologia industrial e ajudou a desenvolver o Estado.’’
Ainda que o Brasil tenha aumentado significativamente a contratação de estrangeiros, Salamacha diz que as empresas não estão buscando profissionais fora. ‘‘Não há esse movimento de recrutamento no exterior. Com a crise que persiste na Europa, se tornou atrativo vir para o Brasil. Ou seja, está compensando vir trabalhar aqui, mesmo porque os profissionais mais qualificados não querem ocupar cargos mais baixos em seus países de origem’’, resume o professor. (M.T.)

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