As primeiras casas construídas em Foz do Iguaçu datam de 1880, época em que argentinos e paraguaios eram maioria de uma população que circulava livremente pela fronteira e sobrevivia da extração de madeira e erva-mate. Para resgatar a soberania da região, o Ministério da Guerra decidiu criar uma colônia militar em 1888.

No ano seguinte, uma expedição formada por 34 soldados, 12 operários civis e quatro tropeiros, aportou na região e realizou o primeiro censo: 324 pessoas foram cadastradas, 85% estrangeiros. Com a chegada de novas caravanas pelo Rio Paraná e pelo Caminho de Guarapuava, começava a colonização do extremo oeste do Estado. Já nos primeiros anos do século 20, o vilarejo já contava com duas mil pessoas, quatro mercearias, uma hospedaria, engenhos de açúcar e cachaça, pequenas roças e um quartel improvisado. A fundação do município de Vila Iguaçu seria oficializada somente em 1914 (o nome mudaria definitivamente em 1918).

Como as estradas (na verdade, picadas) dificultavam a viagem dos colonizadores por terra, as embarcações se tornaram a melhor opção para quem desejava conhecer a ''Terra das Cataratas''. A burguesia curitibana realizava ''safáris'', utilizavando barcos a vapor para viajar pelo Rio Iguaçu. Turistas, empresários, profissionais liberais e até simples operários, utilizavam o itinerário mais conhecido da década de 20. As viagens de alta classe também registraram tragédias, como a explosão de um vapor em 1924, onde morreram cerca de 120 pessoas (v. nesta página).

A cidade também foi palco de acontecimentos históricos, como a invasão da Coluna Prestes em 1924. O grupo liderado por Luiz Carlos Prestes permaneceu quase um ano na fronteira. A presença do Exército inibiu por muito tempo o desenvolvimento de Foz, enquanto do outro lado do Rio Paraná, o comércio se expandia com velocidade. Até o surgimento da Ponte da Amizade em março de 1965, Ciudad del Este (distante dez quilômetros de Puerto Franco) era chamada de Puerto Stroesnner e não passava de um vilarejo com pouco mais de mil habitantes.

A Capitania dos Portos do Rio Paraná foi fundada em 1933. Os marujos acompanhavam o trabalho dos soldados e vigiavam as barrancas, na tentativa de impedir o contrabando de produtos roubados da mata nativa. Com o passar dos anos, os pequenos pescadores deixaram de ''traficar'' madeiras nobres e passaram a ganhar dinheiro com a venda de mercadoria ilegal (farinha de trigo argentina e cereais paraguaios eram bons exemplos na época).

Em 1950, um desentendimento diplomático chamou a atenção do governo federal. Um marujo brasileiro, conhecido como ''Alemão'', foi preso por guardas paraguaios. A Capitania convocou reforços e o Ministério da Marinha enviou fuzileiros navais, que vieram por terra e também pelo ar (um grupo de 20 homens saltou de pára-quedas, chamando atenção da comunidade). Depois de longa negociação, Alemão e seu pequeno barco foram liberados.

O auge da Capitania dos Portos de Foz foi registrada na década de 60, período em que a base contava com 110 homens (70 fuzileiros) prontos para garantir a segurança da fronteira. Nesta mesma época, os portos da tríplice fronteira registravam cerca de 130 grandes embarcações atracando todos os meses na região, principalmente em Puerto Franco. Com a inauguração da Ponte da Amizade, o transporte fluvial definhou, juntamente com o comércio de
matérias-primas da região. A malha rodoviária se expandiu na década de 70, e com ela a instalação de empresas importadoras em Ciudad del Este. O contrabando de mercadorias ''made in Paraguay'' reuniu as pequenas cidades fronteiriças em uma grande metrópole, sepultando definitivamente os portos dos três países no início dos anos 80. (E.D.)

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