A contadora Elisete dos Santos Crispim e o auxiliar de contabilidade Marcos dos Santos, de Primeiro de Maio (Norte), chegaram cedo à Receita Federal de Londrina há alguns dias dispostos a resolver um difícil problema: aprovar a documentação sobre a criação do diretório de um partido político no município. Era a terceira vez que viajavam a Londrina com este objetivo, com uma pasta cheia de papéis. O intrigante, segundo eles, é que anteriormente já tinham conseguido aprovar a criação de cinco comissões ou diretórios municipais de outros partidos. ''Cada caso foi diferente do outro. Em um deles, tudo foi aprovado na primeira vez'', contou Marcos.
Segundo Elisete, o último processo foi o mais trabalhoso. ''Tivemos uma dor de cabeça enorme com um documento que a Receita nos pedia e que o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) dizia não poder nos fornecer.'' Para ela, um dos problemas é que municípios e estados vivem uma realidade diferente da registrada na esfera federal, mas a legislação não contempla estas diferenças. Elisete também ressaltou o ônus que recai para os contribuintes. ''As novas normas sempre vêm acompanhadas de custas, e se as pessoas ou as empresas não conseguirem cumprir os prazos, ainda têm que arcar com as multas.'' As mudanças são tantas que, de acordo com a contadora, fica difícil para o governo informar a todos adequadamente. ''Esta responsabilidade acaba recaindo sobre os contadores.''
O temor de perder prazos ou estar desinformado diante do emaranhado de normas é tanta que muitos escritórios de contabilidade contratam empresas especializadas em atualização tributária, que publicam constantemente boletins com as mudanças. ''Trata-se de uma colcha de retalhos, e não podemos correr riscos. Vivemos constantemente sob um estresse violento'', informa o contador Osvaldo Lima, de Londrina. Segundo ele, até os anos 1990 tudo era mais simples. ''Hoje surgem novos tributos o tempo todo, para situações muito específicas'', critica. (S.L.)

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