Cocamar prioriza o mercado interno
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quinta-feira, 03 de julho de 2003
Sílvio Oricolli<BR>Reportagem Local 
Maringá Para evitar a concorrência com cinco multinacionais que dominam o mercado mundial de commodities agrícolas (especialmente grãos), a Cocamar Cooperativa Agroindustrial, sediada em Maringá, decidiu verticalizar a produção, ou seja, recebe a matéria-prima que é transformada em produtos que são enviados ao mercado consumidor.
''Adotamos como princípio a agregação de valor à produção primária e a remuneração adequada do cooperado, que não paga mais despesas de recepção dos cereais. Com isso, também damos estabilidade ao mercado de matéria-prima'', sintetiza José Fernandes Jardim Júnior, vice-presidente da empresa. A Cocamar movimentou R$ 774 milhões em 2002 e deve ter aumento de 29,2% na receita bruta deste ano que, pela estimativa da diretoria, deve chegar a R$ 1 bilhão.
Atuando no noroeste do Estado, a Cocamar trabalha com soja (principal produto que, neste ano, deve chegar a 540 mil toneladas), trigo, café, algodão, milho, canola, laranja, cana-de-açúcar e casulos de seda. O seu parque industrial processa óleos de soja, milho, canola e girassol; álcool carburante e gel; sucos de frutas, maionese de soja e canola, café torrado e moído e capuccino; sucos com proteína de soja; fios de algodão, de seda e fios mistos; suco concentrado e congelado de laranja. Para o mercado externo, destina fios de seda, suco congelado de laranja, café em grão e farelo de soja.
Jardim Júnior diz, por exemplo, que toda a soja é processada visando à produção de derivados de valor agregado que serão destinados aos mercado interno, que é o principal foco comercial da empresa. Assim, segundo ele, a diversificação na linha de óleo e de farelo, inclusive o proteinado, permite investir no setor, porque, mesmo tendo a Bolsa de Chicago como referência, a empresa pode complementar o preço pago ao produtor. ''Como a cooperativa não tem escala para competir com as cinco maiores multinacionais no setor de commodity, a saída é priorizar o mercado interno, definindo a região de atuação'', comenta o vice-presidente.
O executivo revela ainda que a escolha da área de ação, que levou em consideração aspectos de logística e de prestação de bons serviços aos clientes, permite competir em igualdade com as gigantes do setor de varejo. ''Por isso, nos concentramos em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul'', informa. O fato de se especializar em mercado interno, não quer dizer que a empresa está abrindo mão das exportações. ''As vendas externas de commodity, se ocorrerem, serão pontuais e só para aproveitar uma melhor oportunidade do mercado'', comenta.
Jardim Júnior diz que, com isso, a cooperativa busca desenvolver a região onde atua. Ele lembra que 80% do solo da região de atuação da Cocamar é arenoso, o que demanda uma tecnologia diferenciada e investimentos. Em determinados casos, foram introduzidas culturas perenes como citricultura, café adensado e criação do bicho-da-seda. Aos 40 anos de atuação, com 6.100 cooperados 75% são mini e pequenos produtores e 200 são assentados que sobrevivem da produção de algodão e casulos de seda.


