Coamo espera faturar R$ 3 bilhões
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quinta-feira, 03 de julho de 2003
Sílvio Oricolli<BR>Reportagem Local 
Campo Mourão Considerada a maior cooperativa singular da América Latina, com 17 mil associados, atuando em 47 municípios do Paraná e Santa Catarina, e faturamento estimado em R$ 3 bilhões para este ano, a Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), de Campo Mourão, movimenta 3,3% de toda a produção brasileira de grãos e fibras e 17% da safra agrícola paranaense. Isto é resultado de política adotada desde o início de sua implantação, em novembro de 1970, segundo seu presidente, José Aroldo Gallassini. Para ele, uma cooperativa deve ser administrada como se fosse uma empresa, que busca fazer bons negócios, ter rentabilidade, garantir preços de mercado ao produtor, ao menos, além de repassar as eles parte dos lucros, no final do ano.
''No início, chegamos a ser criticados, por isso, já que prevalecia o paternalismo. Mas com o passar dos tempos se comprovou que a decisão de tornar a cooperativa uma empresa competitiva, que busca reduzir os custos e trabalhar com rentabilidade, era a mais correta'', comenta Gallassini. No ano passado, o lucro da Coamo foi de R$ 170,54 milhões. Com mercado consolidado, a cooperativa tem investido no processamento de seus produtos primários em busca da elevação das margens de ganho. O seu parque industrial conta com duas indústrias de esmagamento e uma refinaria de óleo de soja, indústria de margarina e gordura vegetal, moinho de trigo e fiação de algodão. ''A industrialização proporciona uma melhor situação econômica para todos'', diz o presidente da empresa.
Gallassini destaca ainda que a empresa continua a expansão dos projetos agroindustriais, como a indústria de moagem de soja que, mediante investimento de R$ 26,8 milhões, elevou a capacidade de processamento de mil para duas mil toneladas por dia. Além disso, a cooperativa arrendou a indústria da Braswey, em Maringá, e contratou a moagem de outras 200 mil toneladas anuais na Cocamar, o que coloca a Coamo entre as cinco maiores esmagadoras de soja do País. Também produz 360 toneladas de óleo refinado de soja por dia e, a partir do mês que vem, vai elevar a produção de margarina e gordura vegetal de 60 toneladas para 120 toneladas por dia.
Para Gallassini, por trás do sucesso da cooperativa não há uma fórmula mágica. Ela surgiu, no início da década de 1970, justamento no final do ciclo da madeira na região de Campo Mourão, para suprir a falta de assistência técnica, armazenagem e comercialização. Ele lembra que naquela época existiam apenas cinco tratores agrícolas na região. A empresa se estruturou e cresceu ''mas nunca voltou as costas aos associados, pois sempre buscou a melhoria socioeconômica de seus produtores. Aliás, é isso que explica a afinidade que existe entre cooperados, funcionários e diretoria. E há ainda outro fator: a honestidade, em todos os sentidos, que conferiu à empresa a confiança quase incondicional de seus associados'', afirma.
O executivo diz que o ponto de partida da bem sucedida empreitada da Coamo foi o apoio que recebeu dos cooperados. ''Isso permitiu que a empresa desenvolvesse projetos voltados à assistência técnica e introdução de novas tecnologias possibilitando que os associados expandissem as atividades, a partir de década de 70'', enfatiza.
Como nos últimos anos a atividade agrícola passa por boa situação econômica e financeira, desde o aumento da produção, melhoria dos preços até a redução dos custos, Gallassini diz que, na mesma proporção, o cooperado conseguiu se capitalizar. ''Isso pode se medir pelo baixo índice de inadimplência na cooperativa, que não chega a 1% e é causado por fatores que não comprometem o resgate do débito'', afirma.


