Nos últimos anos - de 2008 a 2011 -, o número de cirurgias plásticas realizadas no Brasil saltou de cerca de 600 mil para 1 milhão ao ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). O aumento de procedimentos, de acordo com o presidente da Regional Paraná, André Auersvald, se deve, principalmente, à popularização das cirurgias, que hoje têm preços bem mais acessíveis. ''Além das formas de pagamentos que são inúmeras, existem até consórcios'', declara, sem entrar no mérito da questão.
O crescimento da realização de cirurgias, para ele, é um dos motivos do aumento de óbitos registrados no País. ''É um conjunto de situações, mas, estatisticamente, quanto mais cirurgias são feitas, mais mortes podem ocorrer. E o número de plásticas aumentou drasticamente nos últimos anos. Os procedimentos mais realizados no País são lipoaspiração e colocação de próteses de mama. Portanto, os que são mais realizados têm mais chances de riscos'', pontua.
Somente na primeira semana de fevereiro, três casos de óbito vieram à tona. No último dia 5, a costureira Genita Matos da Silva, de 43 anos, morreu em Limeira (SP), após uma parada cardíaca quando se submetia a uma lipoaspiração e abdominoplastia. No dia 6 ocorreu a morte da diarista Maria Gilessi Pereira, de 41, após complicações na colocação de próteses de silicone. Depois de um mês em coma, veio a óbito no dia 7 a manicure Nayara Cristina Patracão, de 24, que havia se submetido a uma lipoaspiração.
Um detalhe chama atenção: todas eram de classes sociais mais baixas, que tinham o sonho da cirurgia plástica e pagaram um preço abaixo da média. Para André Auersvald, cada caso deve ser analisado individualmente, mas, se há muita redução no valor de um determinado local em comparação ao praticado pelo mercado, alguma economia na segurança, certamente, também foi feita. ''Pode ser desde qualidade do material, honorário do profissional à qualificação do ambiente. É um pacote que em algum lugar a conta não fecha.''
Entretanto, segundo ele, a fatalidade deve sempre ser levada em conta, pois se trata de uma cirurgia como outra qualquer. ''Os riscos são inerentes a qualquer intervenção cirúrgica. Não é porque é um procedimento estético que será diferente; não é 100% seguro. Uma cirurgia no intestino, por exemplo, por laparoscopia tem probabilidade de perfuração, assim como uma lipo. A repercussão de uma morte, contudo, é bem distinta. Há uma certa injustiça'', defende, acrescentando que o número de complicações letais tem sido dentro do aceitável.

Não é mercadoria
A campanha ''Cirurgia plástica é com cirurgião plástico'' da SBCP-Regional Paraná, lançada no ano passado, teve o apoio do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná. De acordo com o presidente da entidade, Alexandre Gustavo Bley, o banner com a frase tem o objetivo de alertar e conscientizar os pacientes sobre os cuidados com os procedimentos. ''Já soubemos de casos de cirurgião geral fazendo plástica. Na mão de um especialista, a chance de imprevistos, complicações e erros será sempre menor. E, se acontecer algo, estes têm repertório para resolver precocemente'', diferencia.
Bley atenta ainda para a banalização da estética como aquisição de um produto. ''Não vemos com bons olhos os consórcios. O Conselho é totalmente contrário a qualquer intermediação de instituições financeiras e serviços médicos. Paciente não é um produto e cirurgia não é uma mercadoria a ser comercializada.'' Para que isso não continue acontecendo, o médico diz que cabe ao profissional colocar uma barreira e não ceder às pressões do paciente. ''O médico é quem deve dizer se o paciente tem indicação ao procedimento.''
O CRM não possui números de quantas denúncias específicas de cirurgias plásticas foram registradas no último ano, mas o presidente garante que grande parte foi em decorrência de resultados estéticos. ''São pacientes descontentes com o resultado obtido com o procedimento, que consideraram mal feito. Pode ser uma cicatriz, o tamanho do corte, entre outros'', explica.

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