Cirurgias ainda esbarram no preconceito
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sábado, 10 de março de 2012
Redação FolhaWeb 
Com uma depressão grave e síndrome do pânico que a acompanham desde a infância, Maria (nome fictício), hoje com 46 anos, decidiu dar uma última cartada em sua vida há cerca de um ano e meio. ''Não aguentava mais ser vencida pela doença'', desabafa ela, que chegou a tomar uma combinação de oito remédios ao dia.
Sem grandes expectativas, ela iniciou um tratamento com estimulação magnética transcraniana e comemora os resultados. ''Nada se compara à qualidade de vida que ganhei. Aquela quantidade de remédios me deixava com os movimentos mais lentos e atrapalhavam minha concentração'', conta a professora. Atualmente, ela toma apenas três e em menor bem dosagem.
Assim como Maria, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 3% da população brasileira (5,4 milhões de pessoas) sofra de transtornos mentais severos que necessitem de cuidados médicos contínuos. De 6% a 10% (entre 10,8 e 18 milhões) acabam sendo vítimas de transtornos causados pelo uso de drogas e álcool. Felizmente, apesar do forte estigma que ainda carregam, as doenças mentais, em grande parte, não são mais consideradas como sentença de sofrimento interminável.
Hoje, além dos inúmeros tratamentos farmacológicos aliados à psicoterapia, técnicas e cirurgias psiquiátricas voltaram a ganhar espaço como alternativas para indivíduos com depressão grave, transtornos obsessivo compulsivos (TOC), bem como comportamento agressivo e automutilador. São técnicas ''não invasivas'' como eletroconvulsoterapia (ECT), estimulação magnética transcraniana; e as ''invasivas'', com a implantação de eletrodos no cérebro para neuromodulação.
Porém, um dos grandes entraves apontado por especialistas ouvidos pela FOLHA se baseia na falta de conhecimento e preconceito, movidos, principalmente, por um passado que teve como expoentes o choque elétrico - praticados nos manicômios - e a lobotomia - técnica que consistia na destruição parcial ou total dos lobos frontais do cérebro por meio de um corte feito com a penetração de um bisturi por orifícios nas têmporas. Procedimento totalmente banido e extinto da prática médica há quase quatro décadas. As duas situações só reforçam a constatação de que este é um dos campos da Medicina em que as correntes religiosas, políticas e ideológicas acabam interferindo.
Leia mais na reportagem especial de Marian Trigueiros
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