A cura ainda não foi descoberta, mas uma cirurgia pode dar aos portadores do mal de Parkinson a esperança de reduzir os efeitos da doença. Caracterizada pela degeneração de células de uma região do cérebro, a doença de Parkinson afeta principalmente os sintomas motores. As causas desse processo ainda são desconhecidas. No entanto, essa nova cirurgia – que já é desenvolvida no Paraná – inibe esses efeitos e devolve ao paciente a capacidade de realizar tarefas antes consideradas penosas.
Trata-se de uma intervenção na região do cérebro conhecida como substância nigra, afetada pela doença de Parkinson. A cirurgia interrompe uma ‘‘conexão’’ do cérebro e devolve o equilíbrio motor ao paciente. Pioneiro na realização dessa cirurgia no Paraná, o neurocirurgião Murilo de Meneses conta que já operou cerca de 150 portadores da doença e que a melhora ocorreu em 100% dos casos. ‘‘A cirurgia reverte os sintomas, mais ainda não pode ser considerada a cura’’, alerta o médico.
Meneses explica que a doença é progressiva e invalidante. Quando os sintomas começam a aparecer, revela, a enfermidade já está bem avançada. O problema é que o diagnóstico não é simples de ser feito e apenas quando os tremores começam, o mal de Parkinson torna-se perceptivo. Além dos problemas motores, há também sintomas como alterações emocionais, de memória, comprometimento da mastigação e do funcionamento do intestino, fatores que interferem na qualidade de vida do paciente.
Esses sintomas aparecem porque alguns neurônios da substância nigra do cérebro morrem ou deixam de funcionar, não produzindo uma substância chamada dopanima. A dopanima atua como um mensageiro da estrutura motora do cérebro e quando ela é danificada, causa tremores nas mãos, pés, queixo e mandíbulas, rigidez muscular, redução de movimentos e distúrbios de equilíbrio. Segundo Meneses, antes mesmo do distúrbio de movimento começar, a pessoa fica depressiva, tem dificuldade em realizar tarefas simples e de expressar algumas reações.
Existem diversos estudos para identificar as causas da doença, mas essas causas ainda são uma incógnita para os especialistas, assim como a cura definitiva. O tratamento é realizado por meio de remédios que estimulam a produção de dopamina e agora por meio de intervenção cirúrgica. Existem pelo menos três formas de intervenções.
Além da cirurgia que interrompe a conexão dos neurônios, conforme explica Meneses, há também outras duas formas de cirurgia capazes de reduzir pelo menos os tremores dos pacientes, mas ambas ainda não são desenvolvidas com frequência.
Uma delas utiliza transplante de células de feto e é realizada raramente por questões éticas. ‘‘Os resultados são satisfatórios, mas poucos centros do mundo realizam essa cirurgia porque geralmente os fetos são resultado de abortos’’, explica. Uma opção é a cultura dessas células e Meneses já obteve autorização do Conselho Regional de Medicina (CRM) para desenvolver essa técnica no Paraná.
A outra cirurgia que vem obtendo êxito na reversão dos sintomas do mal de Parkinson é a utilização de um marcapasso, que ao contrário de coagular uma parte do cérebro, como acontece na cirurgia realizada atualmente, utiliza um eletrodo para monitorar os movimentos. ‘‘Esse é o melhor método, a única desvantangem é o custo e a manutenção, já que o aparelho deve ser trocado a cada três anos’’, esclarece Meneses.
Detalhes dessa cirurgia, bem como as mais recentes descobertas sobre o mal de Parkinson serão revelados no livro ‘‘Doença de Parkinson’’, de autoria de Meneses. O livro será lançado no segundo semestre, pela editora Guanabara Koogam.

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