"Eles chegam bravos, mas ao final do processo a maioria consegue refletir sobre a própria vida", afirma a assistente social Cristina Coelho
"Eles chegam bravos, mas ao final do processo a maioria consegue refletir sobre a própria vida", afirma a assistente social Cristina Coelho



Os presos liberados provisoriamente após as audiências de custódia realizadas na Vara de Execuções Penais (VEP) são obrigados a passar pelo atendimento dos estagiários do projeto Circulando a Liberdade, que envolve estudantes de Direito e Psicologia da Faculdade Pitágoras e de Assistência Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Além de passarem por uma entrevista logo após o encontro com o juiz, eles devem participar de um círculo de conversa com outras pessoas na mesma condição, na semana em que foram liberados. "Eles chegam bravos, mas ao final do processo a maioria consegue refletir sobre a própria vida. É comum que caiam no choro", comenta a assistente social Cristina Coelho, do Patronato de Londrina, que trabalha voluntariamente no projeto.

Ela explica que os estagiários também acompanham as audiências e ficam conhecendo a história dos acusados. "Por enquanto estamos em fase de pesquisa, mas até o final do ano vamos apresentar um projeto formatado ao juiz para que seja iniciado no ano que vem", esclarece.

Em dois meses de funcionamento do projeto, foram pouco mais de 100 atendimentos, a maioria jovens até 29 anos. Deste total, 36% obtiveram o direito da liberdade provisória e, entre eles, houve apenas uma reincidência. "Neste caso, ele perdeu o benefício da liberdade", esclarece.

A proposta dos círculos é baseada na justiça restaurativa. "A ideia é que façam uma análise e repensem a própria vida. Quando falam no círculo, também elaboram sentimentos", diz Cristina, para quem punição não significa apenas mandar pessoas para o sistema prisional, que está cada vez mais lotado, inclusive por pessoas muito jovens. "É preciso refletir sobre como eles vão sair", pede. Ao final das entrevistas e antes dos círculos, os estudantes perguntam sobre um valor para a vida, um sonho e um medo aos liberados. "A ideia é que eles reflitam e cheguem ao círculo com um novo pensamento." (C.A.)

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