Divulgado nesta semana pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e com a Fundação João Pinheiro, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) revela que o Paraná concentra os melhores indicadores em municípios polos e nos mais populosos, ao contrário dos vizinhos São Paulo e Santa Catarina, que contam com um grande número de cidades pequenas na lista, mesmo caso do Rio Grande do Sul.
Enquanto no Paraná, apenas 26 municípios estão entre os 500 melhores do País, o que representa apenas 6,5 do total de 399 municípios, em São Paulo o número alcança 214 cidades, ou 33,1% do total. Entre os estados do Sul, o Paraná também tem – proporcionalmente – um número de municípios muito menor no rol. Em Santa Catarina, três em cada 10 cidades estão na elite, enquanto que no Rio Grande do Sul 18,7% dos municípios estão na lista.
Para a professora Ana Lúcia Rodrigues, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e coordenadora do Observatório das Metrópoles, o resultado mostra que o modelo de desenvolvimento do Estado estabelece uma competição desigual entre as cidades polos e os municípios que estão nas suas áreas de influência. "Além de concentrar a industrialização em apenas uma região, a Metropolitana de Curitiba, o modelo paranaense promove uma competição entre os municípios do interior pelos investimentos. É uma política de desenvolvimento localista e não regionalista. As cidades polos deveriam liderar esta desconcentração com o incentivo do governo do Estado, mas isso não vem acontecendo", afirma.
Ana Lúcia lembra que em Santa Catarina, por exemplo, há um grande número de regiões metropolitanas que funcionam de fato e que deslocam os investimentos sob um ponto de vista regional, sem o nível de disputa que ocorre entre os prefeitos paranaenses. "No Paraná, as regiões metropolitanas sequer se efetivaram na prática. Elas praticamente só existem no papel."
Para o economista Cid Cordeiro, especialista em mercado de trabalho e finanças públicas, a realidade de concentração econômica só vai mudar com uma relação mais próxima do poder público com a iniciativa privada. Para ele, é preciso mostrar aos investidores as potencialidades dos municípios menos populosos. "Precisamos de uma política de investimentos mais ativa para o interior. O grande mérito da divulgação destes índices é provocar a reflexão sobre as políticas públicas. Os indicadores se transformam em referência e podem basear metas", afirma.
A grande contribuição do governo do Estado, na avaliação de Cordeiro, seria um investimento maciço em qualificação profissional e no avanço da infraestrutura em todas as regiões. Ele acredita que a melhoria dos aeroportos e a duplicação de rodovias poderiam ser iniciativas decisivas para espalhar os investimentos e fazer o número de municípios na elite nacional aumentar nas próximas medições.
O diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, afirma que o resultado do IDHM confirma uma série de indicadores que o governo do Estado já tem em mãos para nortear uma política de desenvolvimento. Ele admite que o desenvolvimento ainda é muito concentrado na Grande Curitiba e nas principais cidades do interior, mas que uma nova economia está surgindo nos últimos anos. "Temos setores que já estão irradiando desenvolvimento para um grupo grande de municípios como o madeireiro, o metal mecânico e o petroquímico."
Lourenço e Cordeiro também concordam que a Região Metropolitana de Curitiba já tem um parque industrial saturado, com poucas áreas para a instalação de novas plantas, e que a interiorização da indústria é uma tendência inevitável. "Isso deve impactar na arrecadação dos municípios e, consequentemente, na melhoria da infraestrutura, o que deve facilitar a atração de investimentos", analisa Cordeiro.
O Ipardes acredita ainda que a rede de universidades estaduais espalhadas por todas as regiões do Estado é um trunfo do Paraná para desconcentrar o investimento. "Elas precisam trabalhar em favor do desenvolvimento regional", afirma Lourenço.

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