A cada eleição para prefeito, o tema habitação, ao lado de educação e saúde, é um dos preferidos nas promessas dos candidatos ao cargo mais importante da cidade. A maioria dos gestores municipais eleitos em outubro terá a partir de janeiro o desafio de atender à legislação federal e estabelecer um planejamento claro para o setor.
De acordo com a Pesquisa de Informações Básicas Municipais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na primeira quinzena de novembro, a quantia de prefeituras do Paraná que tinha Plano Municipal de Habitação dobrou entre 2009 e 2011, mas elas ainda eram minoria.
Em 2009, 64 municípios paranaenses possuíam esse tipo de planejamento, o que representava 16,04% das prefeituras. Em 2011, havia 127 municípios com o plano, ou 31,83% das 399 administrações municipais.
Há três anos, o Paraná era o 20º Estado em proporção de prefeituras com Plano Municipal de Habitação, com patamar inferior ao índice nacional, que na época era de 18,80%. Dois anos depois, havia passado para o sétimo lugar, e superava o desempenho nacional, que foi a 28,28%. Apesar dessa evolução significativa, o Paraná continuava atrás dos vizinhos Santa Catarina (onde 57,68% dos municípios tinham o plano) e Rio Grande do Sul (42,14%), e do índice geral da Região Sul (42,51%).
O prefeito de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) e presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Gabriel Jorge Samaha (PPS), o Gabão, argumenta que a falta de recursos é a principal dificuldade para que as prefeituras paranaenses elaborem seus planos de habitação.
''Os planos são determinantes para que os municípios estejam habilitados para várias linhas de financiamento e para a integração de recursos dos governos federal e municipal. Os municípios maiores, com mais recursos, têm condições de ter um staff para fazer esses planos. Os menores não têm equipe técnica nem condições'', diz Gabão. O presidente da AMP afirma que o caminho pode ser a busca de parcerias, com o Governo do Estado, por exemplo, mas faz uma ressalva.
''Fazer o plano não é tanto o problema. O mais importante é saber de onde virão os recursos para que ele seja aplicado'', explica. ''Qualquer plano de médio ou longo prazo exige que se saiba claramente qual será a fonte de recursos.''
A Lei Federal nº 11.124, de junho de 2005, que criou o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS), estabelece que, para receber recursos do FNHIS, os Estados, o Distrito Federal e os municípios devem ter um plano com especificidades de locais e demandas a serem atendidas.

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