A secretária municipal de Cerro Azul, Sandra Cordeiro, espera benefícios com a chegada do Cartão Nacional de Saúde. Um dos retornos aguardados é o aumento nos repasses das verbas estaduais. Segundo Sandra, seriam necessários mais R$ 25 mil por mês. O município recebe hoje cerca de R$ 15 mil, mas precisa ainda atender a demanda de pacientes que chegam do município de Dr. Ulisses.
Outro problema enfrentado é o êxodo de pacientes. Em média, cerca de 120 consultas que poderiam ser feitas mensalmente no município migram para Campina Grande do Sul e Curitiba. Sandra diz que o Cartão Nacional de Saúde pode convencer esses pacientes a procurar assistência em Cerro Azul. ‘‘Nossa expectativa é que o cartão segure esses pacientes aqui’’, diz.
Cerro Azul foi escolhido pelo Ministério da Saúde para integrar o projeto-piloto do Cartão Nacional de Saúde por repassar em dia as informações sobre os atendimentos pagos pelo SUS. O ministério também queria uma cidade de pequeno porte que tivesse um cadastramento de segurados que cobrisse quase toda a população. Cerca de 15 mil dos 18 mil habitantes da cidade já foram registrados para participar dos testes com o cartão.
Os terminais de computadores que vão mostrar as informações dos segurados estão sendo instalados nos oito postos de saúde de Cerro Azul. ‘‘Vamos ter um controle exato do que está acontecendo nessas unidades’’, diz Sandra Cordeiro. ela acredita que o projeto vai melhorar o atendimento aos pacientes e capacitar os profissionais de Saúde.
Com as informações sobre as principais doenças que aparecem no município, a Secretaria de Saúde de Cerro Azul quer criar programas para reduzir o índice destes males. ‘‘Teremos condições de planejar programas de prevenção de doenças’’, afirma Sandra.
A inclusão de Cerro Azul no projeto do cartão serviu para chamar a atenção dos problemas de infra-estrutura no setor de Saúde. A cidade tem apenas 26 leitos mantidos pelo SUS na Casa de Saúde Dr. Ênio Costa. O centro cirúrgico da instituição é mantido pela prefeitura. Ele precisa de reformas no teto e novos instrumentos cirúrgicos, como pinças. O local atende apenas casos sem gravidade como retiradas de pontos e partos normais. Há um ano, a secretaria tenta contratar um cirurgião-geral. O salário é de R$ 6 mil, mas os profissionais são desencorajados quando são informados que precisam morar na cidade. (D.V.)

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