Cerâmica resgata obra de Portinari
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segunda-feira, 29 de dezembro de 1997
Londrina 
César AugustoSandra Regina da Silva: Não quis formar novo conceito. A minha proposta é estreitar laços com a cultura brasileiraAliar funcionalidade e ergonomia, características básicas da criação de um designer, com o resgate de um grande nome da cultura brasileira foi o objetivo da estudante Sandra Regina da Silva, formanda do curso de Desenho Industrial da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Ela desenvolveu um revestimento cerâmico com inspiração na obra de Cândido Portinari, artista brasileiro que viveu entre 1903 e 1962.
Não quis reproduzir a obra de Portinari no revestimento, apenas tive inspiração conceitual na obra Café, explica Sandra, que seguiu a tendência de rusticidade adotada na Europa para desenvolver sua idéia. Enquanto na Europa o rústico é caracterizado por castelos e residências antigas feitas em pedra, no Brasil o rústico é lembrado por figuras da zona rural como paredes caiadas e paiol, elementos que Sandra buscou em Portinari, criando a linha Estopa.
Segundo Sandra, as obras que mais despertaram o interesse foram Retirantes e Morte. Portinari pintou a fome, a miséria e o esquecimento da população marginalizada, que não é assistida pelo governo, comenta a estudante. Para o listelo, Sandra fez uma estilização das obras Mulher do Pilão e Mestiço, que remete à porteira, uma outra figura da zona rural brasileira.
César AugustoPeças desenvolvidas pela estudante: preocupação com o design e o mercado brasileiro
A estudante considera Cândido Portinari um dos maiores artistas brasileiros, cuja obra não tem recebido o destaque e divulgação merecidos. A produção artística brasileira não é cultuada, fato acentuado pelo processo de globalização, onde as diferenças não são evidenciadas. A nossa cultura está se perdendo ao longo do tempo. Temos que resgatá-la, sentencia Sandra. Ela destaca que num projeto de desenho industrial, a estética faz o diferencial. Não quis formar um novo conceito de estética brasileira. A minha proposta é uma opção para aqueles que pretendem estreitar os laços com as raízes da nossa cultura, explica.
A criação de um designer deve atender às necessidades do consumidor. Por isso, Sandra optou pelos tons claros como bege e cinza, preferência dos consumidores brasileiros, que também escolhem revestimentos brilhantes. O profissional deve fazer também um estudo sobre a viabilidade do produto. No caso do revestimento desenvolvido pela estudante, embora tenha sido feito em gesso com tinta acrílica, foi criado para produção em cerâmica.
A estudante também definiu a serigrafia como processo de impressão, que é viável economicamente, propondo duas ou três cores.
Sandra foi premiada na área de Desenho Industrial na Mostra de Trabalhos de Graduação, promovida pelo Clube de Engenharia e Arquitetura, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon) e Universidade Norte do Paraná (Unopar). Além do Desenho Industrial, a Mostra expôs trabalhos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil, premiando os mais votados pelo público que visitou o local.


