Cenário positivo para o mercado de carnes
A "má notícia" sinalizada pela queda do PIB e aumento da inflação pode trazer oportunidades para alguns setores. Com a queda na renda, a tendência é que os consumidores façam trocas de produtos que entraram na cesta de consumo nos tempos de renda mais valorizada por itens mais baratos. É o caso clássico das famílias que deixam de comer carne e substituem por frango, o que pode incentivar o consumo de aves no mercado interno. O mesmo vale para o álcool, que pode ser um substituto de outros combustíveis mais caros mesmo em regiões onde há paridade com a gasolina.
No caso das aves, Alexandre Mendonça de Barros destaca que o mercado internacional também está favorável ao produto brasileiro. Isso porque nossos principais compradores de carne como países árabes e a Venezuela estão empobrecidos e, como o consumidor brasileiro, tendem a substituir carne vermelha por produtos mais baratos, como o frango.
Além disso, a gripe aviária que assolou rebanhos norte-americanos favorece o Brasil, visto que a doença é endêmica em todo o mundo, menos na América Latina. Todos esses fatores explicam o recorde brasileiro de exportação de frango, na ordem de 440 mil toneladas por mês. "Por isso, o controle sanitário deve ser prioritário", afirmou.
As oportunidades no setor de suínos dependem do mercado chinês. Segundo Barros, o país asiático consome a maior parte desta que é a carne mais produzida no mundo. Nos Estados Unidos, a diarreia suína eliminou muitos rebanhos em 2014, reduzindo a oferta e elevando os preços. Mais uma vez, questões sanitárias favorecem o produto brasileiro, que conseguiu conquistar mercados na Rússia e na Europa. "Com a regularização da questão sanitária, porém, há forte expectativa de que voltem a exportar para retirar oferta do país", pontuou, destacando que, diante da possibilidade de venderem para a China, é possível que os preços subam nos próximos anos.
Barros também afirmou que "o momento é de virada para a carne vermelha", cujo volume de exportação, no Brasil, caiu 19%. "O cenário atual é de preços muito firmes", afirmou, explicando que, diante da forte queda tanto na demanda interna quanto externa, as indústrias recuaram nos abates. Para ele, a oferta de carne brasileira só será corrigida em 2017, o que deve manter os preços altos nos próximos meses. Além disso, a Austrália reduziu a oferta de 1,5 milhão de toneladas de carne com qualidade "premium", que atende grandes importadores como Estados Unidos. Segundo o especialista, esta configuração traz uma grande oportunidade para o Brasil, que tem um forte potencial para exportar carnes, mas está prejudicado pela crise política. "Poderíamos participar de grandes acordos de abertura de mercado que estão acontecendo, mas não entramos na discussão", lamenta. (C.A.)





