Diagnosticado com a doença de Hodgkin, câncer que atinge o sistema linfático, o vendedor Rewerson Silva, 40 anos, comemora novamente a cura depois de um transplante autólogo, realizado em Londrina, há dois anos. ''Tive a doença com 21 anos e depois de um ano e meio de tratamento com quimioterapia e radioterapia o câncer sumiu. Infelizmente, em 2009, os sintomas voltaram quando morava nos Estados Unidos'', conta.
Lá, ele realizou novamente o tratamento, mas, sem êxito, teve de voltar ao Brasil para o transplante. ''Tudo foi muito rápido e a recuperação até que foi tranquila. Fiquei um tempo sem poder sair de casa e realizar algumas atividades. Mas, agora, vida normal. Nunca pensei que iria morrer.'' Com os exames normais, Silva ainda faz acompanhamento, porém otimista do futuro e dos planos que deseja retomar.
Como não pode mais ter filhos devido ao tratamento, os cachorros que cria desde então acabaram se tornando companheiros e grande fonte de afeto. ''Esses bichos me dão muita alegria. Penso um dia voltar a morar em outro país, mas vai ser muito difícil se eu tiver de deixá-los'', diz ele, que antes do transplante vivia há oito anos fora do Brasil.
Transplante em Londrina
O transplante de Rewerson só foi possível porque há dois anos o Hospital Universitário (HU) de Londrina realiza o procedimento ''autólogo'', cujas células são retiradas do próprio paciente e transplantadas nele mesmo. Após anos de encaminhamentos a Curitiba e São Paulo, o município recebeu a unidade de Transplante de Medula Óssea (TMO), na qual existem quatro leitos. ''Realizamos 35 transplantes nesse período'', diz a médica Joana Ciocari, que integra a equipe.
Para ela, mais urgente do que firmar um convênio com um banco de cordão umbilical é ampliar a unidade para a realização de transplante halogênico aparentado e não aparentado. ''Precisamos, porém, de mais tecnologia e pessoas na equipe.'' O transplante autólogo é realizado no HU somente em casos de pacientes com mieloma múltiplo; com linfomas e com leucemia mieloide aguda. O Hemocentro do HU já contabiliza mais de 46 mil cadastros de doadores de medula óssea. Transplante que, por sua vez, não é realizado aqui.
A esperança de expansão da unidade, entretanto, foi vetada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). De acordo com a diretora superintendente do HU, Margarida Carvalho, entre as várias prioridades listadas no plano estratégico de gestão do hospital estava a criação de dez leitos exclusivos para pacientes imunodeprimidos, como os transplantados, equipamentos e materiais. ''Mas não receberemos verba para essa finalidade nos próximos dois anos'', afirma.

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