Entre os avanços da medicina, o uso de células-tronco no tratamento de algumas doenças, como cânceres sanguíneos, renova a esperança da população mundo afora. Ainda há um longo caminho pela frente nas pesquisas, mas, hoje, transplantes via material da medula óssea e sangue do cordão umbilical e placenta são procedimentos comprovados e com alto índice de sucesso. Além das pesquisas, a expansão significativa do número de doadores e a implantação de bancos públicos de sangue do cordão umbilical são fundamentais e contribuem para os resultados positivos.
Bastante difundidos pelo mundo, os bancos públicos de sangue do cordão umbilical começaram a ser implantados no Brasil apenas em 2004, por meio da rede BrasilCord, ligada ao Instituto Nacional de Câncer (Inca) e integrada ao Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Atualmente, a rede conta com 15 mil unidades de sangue armazenadas provenientes dos 17 bancos espalhados pelo Brasil, principalmente nas capitais. No Paraná, apenas Curitiba é contemplada com o serviço, que começou em dezembro de 2011.
Embora a rede tenha aumentado a disponibilidade de material genético, os bancos públicos ainda esbarram em algumas dificuldades, sobretudo na falta de recursos humanos. No Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que realizou a primeira coleta em janeiro deste ano, há apenas dois profissionais habilitados para as atividades em toda a cidade. O HC possui convênio com uma maternidade em Curitiba, onde são realizados partos de baixo risco, e há possibilidade de coletar o sangue do cordão umbilical.
De acordo com Giorgio Roberto Baldanzi, chefe do Serviço de Banco de Sangue do Cordão Umbilical e Placentário (SBSCUP) do HC, seria possível firmar convênio com outros municípios, mas isto é dificultado pela logística da atividade, restringindo a possibilidade de extração do material fora da capital. ''A coleta deve ser realizada por um profissional treinado porque existe um protocolo de manipulação do material e tempo máximo para as células serem congeladas. No momento, não temos como atender outras localidades'', explica.
Desde o início do ano, o HC de Curitiba realizou 14 coletas, sendo que nove estão armazenadas, pois atenderam ao critério de controle de qualidade. O serviço é totalmente gratuito, mas é feito sob forma de doação. Na hora do nascimento, o material é colhido do cordão umbilical. Depois de exames de controle, o sangue fica armazenado e seu perfil genético disponível no Redome. Caso haja compatibilidade, qualquer pessoa do Brasil e do mundo, que necessite de transplante, poderá ser beneficiada com o material extraído.
Luiz Fernando Bouzas, coordenador do BrasilCord e do Redome, diz que a quantidade de bancos públicos instalados é suficiente para transformar o Brasil em um dos maiores bancos do mundo. ''Temos bancos em todas as regiões do País para garantir a diversidade genética e, com isso, aumentar as chances de doadores compatíveis para transplantes de medula óssea'', defende. Segundo ele, a capacidade de armazenagem da rede é de 75 mil unidades de sangue, que deve ser alcançada em cinco anos. No total, o Redome já contabiliza cerca de 3 milhões de cadastros de doadores, o terceiro maior registro do mundo.

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